Fiama Hasse Pais Brandão recebe Prémio da Crítica

Fiama Hasse Pais Brandão recebe Prémio da Crítica

Fiama Hasse Pais Brandão, que hoje viu distinguido o seu livro "Contos da imagem" com o Prémio da Associação Portuguesa de Críticos Literários, revelou-se como poetisa em Poesia 61, ao lado de outros hoje grandes nomes da escrita poética portuguesa.

Agência LUSA /

Não sendo propriamente um movimento literário - a antologia poética então lançada com esse título não ambicionava tal estatuto - Poesia 61 consagra desde logo uma alteração em profundidade no dizer poético em Portugal.

Aplaudida, mas também acolhida com indiferença, se não mesmo com a mais hostil das rejeições, Poesia 61 foi de alguma forma o "berço" de algumas das hoje mais notáveis vozes da poesia portuguesa, uma das quais precisamente Fiama Hasse.

A intensidade da sua voz poética, o seu rigor, o seu apuramento formal, sem cedências, evidenciaram-se logo no segundo título da sua produção, Barcas Novas, em que o leitor atento de então percebeu a alusão à guerra colonial. Mas nenhum panfleto, aqui, a desvirtuar a essencialidade poética.

O seu percurso de escritora foi-se consolidando ao longo dos anos, com um produção diversificada pela poesia, o teatro, a ficção, a tradução, cuja qualidade a crítica atenta tem realçado e alguns importantes prémios têm distinguido.

Alguns dos seus títulos na poesia: O Texto de João Zorro, Novas Visões do Passado, Homenagemàliteratura, Área Branca, Três Rostos, Epístolas e Memorandos e, mais recentemente, Fábulas.

Prosadora, escreveu, entre outros, O Retratado, Falar sobre o falado, Movimento Perpétuo. No Teatro, Os Chapéus de Chuva, O testamento, Poe ou o Corvo, Quem move as árvores.

O currículo de galardões literários da autora inclui o Prémio de Revelação de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores (1961), Prémio de Poesia do Pen Clube (1986), Prémio D.Dinis de Poesia e Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, estes dois últimos no mesmo ano (1996) para Epístolas e Memorandos.

Sobre a obra poética de Fiama Hasse escreveu o também poeta António Ramos Rosa: "Fiama sente a inextricável complexidade do mundo e a sua perplexidade perante ela é permanente, embora não passiva.

Essa perplexidade não paralisa a investigação activa do real, antes parece estimulá-la e desenvolvê-la".

Gastão Cruz diz que, "ao longo de mais de 30 anos, a poesia de Fiama Hasse Pais Brandão mais não fez do que aprofundar as relações entre a linguagem e o mundo, entre as palavras e a vida, entre as imagens linguísticas e as imagens reais".

Os textos teatrais da autora são, na avaliação do crítico Manuel João Gomes, "assumidamente literários mas irreprimivelmente teatrais, buscam o específico teatral sem desmentir a poesia, buscam o poético enquanto se esforçam por falar do real".

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