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Filme "Fados" dignifica o fado, afirmam Mariza e Carlos do Carmo

Filme "Fados" dignifica o fado, afirmam Mariza e Carlos do Carmo

Os fadistas portugueses Mariza e Carlos do Carmo consideraram quinta-feira que o filme "Fados", de Carlos Saura, "dá dignidade ao fado" e "abre uma porta de modernidade".

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /
"Senti-me sempre fadista no filme e não actriz", afirmou Mariza DR

Ao final da tarde de quinta-feira, em Toronto, Canadá, Mariza e Carlos do Carmo, protagonistas da película, pisaram a passadeira vermelha reservada às celebridades do cinema, em direcção ao auditório do Teatro da universidade Ryerson, para assistir à estreia mundial de "Fados".

No final da exibição deste musical que, em estreia mundial, fez a abertura do Festival de Cinema de Toronto, as cerca de 1.000 pessoas presentes aplaudiram de pé, Carlos Saura e os dois fadistas portugueses presentes.

Em declarações à Lusa, Mariza comentou que "este filme de Carlos Saura eleva o fado, a alma do povo português".

"Trabalhar com o Carlos Saura é muito fácil. É uma pessoa simples. Para mim foi um privilégio pode trabalhar com ele e com todos estes artistas", referiu.

No filme, Mariza interpreta "Transparente", com ritmos africanos, e o "Fado Meu", este último numa nova versão misturada com Flamenco, cantada em parceria com o espanhol Miguel Poveda.

Sobre a sua primeira experiência no mundo do cinema, Mariza confessou ter tido uma "sensação um pouco estranha".

"Geralmente não me vejo a cantar o fado. Canto apenas no palco", indicou.

"Senti-me sempre fadista no filme e não actriz", adiantou a cantora, acrescentando desconhecer se tem aptidões para representar.

Carlos do Carmo, também presente em Toronto para esta estreia, evidenciava grande nervosismo antes da estreia e transbordava emoção e felicidade no final da projecção.

"Foi um dos dias mais felizes na minha vida. Este filme foi sonhado por mim. E o resultado é a materialização desse sonho", declarou à Agência Lusa.

O fadista indicou ter sido ele quem definiu e sugeriu toda a estrutura musical deste filme.

"Carlos Saura é um um homem muito simples, de uma grande sensibilidade musical e um brilhante realizador", realçou.

Além de ter sido supervisor musical, Carlos do Carmo participou também no filme, dando a voz num fado sobre Lisboa e a "Um homem na cidade", participando ainda numa renovada versão de "Fado Tropical", por Chico Buarque.

Em relação à estreia em Portugal, marcada para 25 de Setembro, Mariza disse que espera que "alguns puristas do fado façam comentários".

"Mas Carlos Saura com este filme dá dignidade ao fado, ajudará à sua projecção em todo o Mundo e contribuirá para que as pessoas procurem conhecer mais o fado", salientou.

No entender de Carlos do Carmo, urge uma mudança de atitude dos portugueses quanto ao fado, já que a larga maioria diz "nada conhecer" sobre a maior expressão do canto nacional.

"É um preconceito que tem de acabar", remarcou.

"Se o filme correr bem, não haverá derrotados", apontou ainda Carlos do Carmo.

Momentos antes do início da estreia, na sala do Teatro Ryerson, as expectativas da assistência eram muitas.

O fado, através de uma longa lista de perto de 30 vozes e interpretações, foi a estrela na tela durante 85 minutos.

No final, as cerca de 1.000 pessoas que encheram a sala de Toronto aplaudiram de pé.

Do fado castiço de Alfredo Marceneiro, à era moderna de Amália Rodrigues, o filme mostrou o fado e espelhou Portugal através da sobriedade e inteligência de Carlos Saura, mostrando ainda as novas tendências e as influências africanas e brasileiras.

No final da estreia, António Saura, filho de Carlos Saura e produtor do filme, expressou à Lusa um grande agradecimento a Portugal, devido a "ser um país de uma imensa riqueza cultural".

Além de Mariza e Carlos do Carmo, participam no filme outros fadistas como Argentina Santos e Camané.

A película contempla a homenagens a Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Lucília do Carmo.

O cantor brasileiro Caetano Veloso interpreta o fado "Estranha forma de vida", da autoria de Amália Rodrigues, e Chico Buarque rejuvenesce a sua composição "Fado Tropical", num dueto com Carlos do Carmo.

A apresentação de "Fados" marcou o arranque do festival de cinema de Toronto que até 15 de Setembro apresentará um total de 349 películas, oriundas de 55 países.

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