Filme "Playback" sobre Carlos Paião estreia-se em mais de 50 salas
O filme "Playback", de Sérgio Graciano, que recorda e reinterpreta alguns dos momentos da vida e da carreira do músico Carlos Paião, estreia-se hoje em 55 salas de cinema.
"Quis fazer a história do homem e não a história do mito. Foi um homem brilhante, um letrista incrível", afirmou o realizador Sérgio Graciano no final de julho, na antestreia em Lisboa.
O filme "Playback" inclui momentos-chave do percurso do cantor e compositor, como a passagem pelo Festival da Canção, mas também da vida pessoal, como a formação em Medicina e o casamento com Zaida Cardoso.
"É importante recordar todas as figuras que têm marcado de alguma maneira o nosso país e as pessoas, e o Carlos é uma dessas figuras", afirmou Sérgio Graciano à Lusa em dezembro passado, numa visita ao `set` de filmagens.
Segundo Sérgio Graciano, "Playback" não é um documentário e tem espaço para a interpretação artística: "Há que tirar sempre uma licença poética para fazer uma biografia", porque "é uma leitura de um argumentista e de um realizador, e, por isso, há de haver pessoas que se vão identificar e outras que não tanto".
"Playback" é protagonizado pelo ator Rafael Ferreira, escolhido num `casting` entre mais de duas centenas de candidatos.
O ator iniciou carreira em 2017, tem algumas experiências em teatro, cinema e televisão, mas considera que este é o seu "primeiro trabalho de maior destaque e também uma grande responsabilidade", pela homenagem que presta ao músico.
"Estou a fazer de um cantor que acho que ultrapassa gerações, porque eu nasci 10 anos depois, e mesmo assim ouvia as músicas dele", recordou à Lusa em dezembro passado durante a rodagem.
"Playback" conta ainda com interpretações de Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo, entre outros.
A banda sonora é assinada pelo músico Paulo Furtado, ou The Legendary Tigerman, que retrabalhou as canções de Carlos Paião, com os músicos que habitualmente o acompanham e também com o ator Rafael Ferreira.
Entre as músicas de Carlos Paião escolhidas para a banda sonora há um inédito, "Lisboa Lisboa", que o cantor nunca chegou a editar e que, segundo Paulo Furtado, "é uma canção de amor dedicada a Lisboa", como descreveu à Lusa em julho, quando tocou com Rafael Ferreira no festival Alive, em Oeiras.
Embora não haja mais datas anunciadas para concertos sobre o repertório de Paião, Paulo Furtado acredita que poderão surgir entretanto, "ainda para este ano".
O filme é uma produção da Caos Calmo, tem argumento de Mário Cenicante e contou com a colaboração de Zaida Cardoso, a mulher de Carlos Paião.
Carlos Paião nasceu em 01 de novembro de 1957, em Coimbra, e morreu a 26 de agosto de 1988, na sequência de um acidente de automóvel. No meio destas duas datas, estava um homem que estudou Medicina, mas que se decidiu pela música, tendo composto mais de duas centenas de canções, muitas das quais já integradas no cancioneiro pop português.
Compôs, entre outras, "Cinderela", "Pó de arroz", "Vinho do Porto", "Souvenir de Portugal" e "Playback", e deixou os álbuns "Algarismos" (1982) e "Intervalo" (1988).
Ao longo da carreira, colaborou com o humorista Herman José - escreveu para ele as canções da personagem Serafim Saudade - e também com Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia, entre outros cantores.