EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Fingertips "numa fase criativa muito boa"

Fingertips "numa fase criativa muito boa"

Os Fingertips têm, desde esta semana, um novo álbum. “2” é o segundo disco com a voz de Joana Gomes, que marca uma nova etapa da banda de Viseu após a saída do vocalista Zé Manel. O grupo também se encontra, pela primeira vez, numa digressão para apresentar as novas canções. Motivo para a conversa com o fundador Rui Saraiva e Joana Gomes.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Joana Gomes foi a nova voz escolhida para os Fingertips após a saída do vocalista Zé Manel, em 2009 Nuno Foros, thefingertips.com

Como tem sido o novo rumo dos Fingertips, agora com uma nova vocalista?

Rui Saraiva: Muito positiva. Passámos uma fase de muita turbulência e estávamos a precisar de sangue novo, de alguém que se juntasse a nós com vivacidade, com gosto pela música e quisesse mesmo dedicar-se à música e dar continuidade aos objetivos e projetos, porque achávamos que ainda tínhamos muito para dar.

Escolhemos a Joana e ainda bem. Andámos pelo país todo à procura de uma nova voz e fomos encontrá-la bem perto de Viseu.

Os “Fingertips” estão numa onda muito positiva. É o segundo disco em dois anos. Estamos numa fase criativa muito boa.

O “2” reflete um bocado este momento; o bom ambiente que toda a banda vive está a passar para o disco e para quem o ouve.

Quais são os objetivos e ambições da banda?

Para já, temos pela primeira vez uma digressão quando lançamos um disco. Vamos estar a tocar 24 concertos até maio. Só isso nos dá muita força e estamos muito motivados. Depois, queríamos fazer uma grande aposta noutros mercados. Andámos a desenvolver essa ideia quase desde o início, temos a noção das dificuldades, mas está na altura certa de apostarmos.

Esta tour vai dar-nos a oportunidade para estruturarmos melhor o nosso concerto e espetáculo, para depois podermos tentar mostrar a nossa música noutras culturas e noutros países. A nossa música está no iTunes, o que facilita, mas temos a noção que precisamos trabalhar mais e ir mais longe. Temos de pegar nas guitarras e outros instrumentos e irmos mostrar a nossa música por todo o lado.

Como têm corrido os primeiros espetáculos da digressão?

Tem sido muito bom. O espetáculo que apresentamos, embora tendo por base o último disco, passa em revista tudo o que é história dos Fingertips e as músicas que nos fizeram ficar conhecidos.

A reação às novas músicas tem sido muito positiva. As pessoas ainda não as conhecem (o álbum está à venda desde 5 de março) mas estão a recebê-las muito bem. Foi esse o espírito com que fizemos o novo disco.

Investimos muito nas partes melódicas, na comunicação e na emoção. Agora, estamos a sentir a reação das pessoas. Nesse sentido, acho que os nossos objetivos estão a ser alcançados.

Os Fingertips e o anterior vocalista (Zé Manel, agora no projeto Darko) estão a lançar novos trabalhadores discográficos quase em simultâneo. Como lida com isso?

Chegou a uma altura em que tínhamos de seguir caminhos diferentes. Foi essa a opção do Zé. Achávamos que tínhamos todas as capacidades para prosseguir os objetivos, seguimos o nosso caminho e fomos à procura de uma voz.

Sempre achámos que o todo se sobrepõe ao individual, sempre foi a nossa ideia e não a íamos abandonar. Queremos ser conhecidos pela música que fazemos e é para isso que trabalhamos todos os dias.

No texto de apresentação do “2” dizem que vêm a música como emoção, comunicação e relacionamento. A estratégia dos concertos está relacionada com essa concepção?


Exatamente. Achamos que a música é para comunicarmos com as pessoas, para lhes darmos emoção, para que sintam algo e que a nossa música faça parte da vida delas nos mais variados momentos. E por isso temos espetáculos nas capitais de distrito, para comunicar com as pessoas. Por outro lado, promovemos um workshop de bateria, em que o nosso baterista fala dos aspetos musicais, mostra que a música não é só festa e incentiva os jovens a irem para a área da música. Dá muito trabalho, mas o que seria um dia sem música?

Depois a vertente social, a que nos dedicamos desde o início. É muito importante, ainda mais neste período atribulando a nível social e económico no mundo. Temos um “Bilhete Social”, em que quem o adquirir tem um desconto de 5 euros sobre o preço normal do bilhete. Terá simplesmente de levar dois ingredientes, como arroz, massa, atum ou óleo, que irão ser distribuídos por uma associação desse distrito ou localidade em que atuarmos. A Associação Acreditar foi a escolhida em Lisboa, Porto e Coimbra.

Devemos de comunicar com as pessoas, alertá-las que vivemos em sociedade e, cada um de nós, contribuir para que ele seja melhor.

O disco chama-se “2” porque é o segundo em que participa?

Joana Gomes: Um dos motivos pelo qual o disco se chama “2” é por ser o segundo gravado com a minha voz. Outra razão está relacionada com o facto de todos os dias nos depararmos com uma dualidade, como o certo e o errado, o branco e o preto, o tudo e o nada, a noite e o dia, os dois olhos com que vemos o mundo e as duas mãos com que tocamos. Todas estas situações são bastante importantes porque definem a nossa forma de estar.A nova vida dos Fingertips

Os Fingertips decidiram procurar uma nova voz, após a saída do vocalista Zé Manel em 2009. Entre seis finalistas, foi escolhida Joana Gomes para se juntar a Rui Saraiva, Rodrigo Ribeiro e Hélder Matos.

O primeiro álbum com a nova vocalista, “Venice”, saiu no final de março passado. Continuam as músicas cantadas em inglês, as baladas marcantes (“Simple Words”) e temas de ambiência electrónica (“Freaming of the Moon”). Um ano depois é apresentado “2”. O single “Running Out of Time” já se escuta nas rádios.

Os “Fingertips” são uma banda 100 por cento independente, controlando o processo de edição através da Planeta Vermelho. “Só não fazemos distribuição”, esclareceu Rui Saraiva à RTP.

Formada em 2003, a banda de Viseu fica reconhecida do público logo após a apresentação do álbum de estreia “All’Bout Smoke’nMirrors”. Temas como “Melancholic Ballad (For the Leftlovers”), “Picture of My Own” e “How do You Know Me” contribuíram para esse sucesso.

Ainda com a composição anterior da banda (Zé Manel, Rui Saraiva, Domingos Alves, Alexis Dias e Jorge Oliveira) seguiram-se “Catharsis” em 2006 e “Live Act” no ano seguinte.

Partilharam o palco com Nelly Furtado, Queen, George Michael, The Corrs e atuaram por duas vezes no Rock in Rio.


Então o disco reflete dualidade, mas escuta-se uma continuidade do som “Fingertips”…

Pode dizer-se que há uma continuidade e também uma progressão da nossa sonoridade.

Se há um ano nos dissessem que estaríamos, por esta altura, a lançar um segundo disco não acreditaríamos. Na altura ainda estávamos a finalizar o “Venice” e ficaram algumas canções e ideias pendentes. O “Venice” é um disco com muita tecnologia, mas começou por trazer à flor da pele canções mais orgânicas e foi por aí que iniciámos o “2”. Pegámos nas nossas ideias iniciais, algumas que resultaram no “Venice” e depois ficaram pendentes, e trabalhámo-las para esta nova composição.

Por isso é que há continuidade, mas também uma progressão do nosso som. Gostámos quando uma música tem muita cor, vivacidade, e é isso que transmite o “2”.

Neste caso, pegámos nas canções mais orgânicas. Posso dizer que houve gravações que resultaram à primeira e não foi preciso estar a trabalhá-las mais. Este disco é muito mais real, mais “ao vivo”.

E mais romântico?
Também se pode falar numa dualidade nesse sentido, tem as baladas, as músicas mais calmas, mas também as músicas mais vivas e poderosas. Por outro lado, apresenta a particularidade de, muitas vezes, uma dessas músicas mais poderosas terminar só em piano e voz ou em guitarra e voz, para contrastar.

Trabalhámos muito esse aspecto no disco.

Como foi o processo de escolha para voz dos Fingertips?

Houve várias etapas de seleção (em 2010) e o meu primeiro casting foi em Coimbra. A banda avaliou-nos a nível musical, Inglês, cultura geral. Depois, seguiram-se outras provas, também com esses parâmetros de avaliação.

Para pertencer aos Fingertips era preciso algo mais do que saber cantar. A personalidade era importante, porque temos de trabalhar bem em conjunto numa banda. Passámos todas as etapas do desafio, sendo avaliados a vários níveis até que chegou o dia da final e eu fui escolhida.

Como está a ser a experiência enquanto a nova voz dos Fingertips?

Extraordinária! Era um sonho que eu já tinha há muito tempo e vi-o tornar-se realidade de um momento para o outro. Ainda por cima numa banda que já contava com uma larga história de sucessos. Foi uma grande responsabilidade para mim, uma vez que a fasquia já estava bem alta, mas não existia outra forma senão atirar-me de corpo e alma a esta este projeto.

Estou a fazer aquilo que realmente gosto, cantar, e que me tem dado oportunidade para concretizar outros sonhos que partem deste. Estou a compor música, estou a mostrar as músicas a toda a gente e a subir ao palco. Não há nada melhor do que isto!
Tópicos
PUB