Gonçalo Amorim leva "A Mãe", de Bertolt Brecht sexta e sábado ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães
Porto, 08 Abr (Lusa) - O espectáculo "A Mãe", de Bertolt Brecht, com encenação de Gonçalo Amorim, sobe, sexta-feira e sábado, ao palco do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, disse hoje à Lusa fonte da instituição.
Esta, que peça estreou em Lisboa, na Culturgest, no passado dia 19 de Março, conta a história de Pelagea Vlasova, uma mãe viúva que escolhe lutar de forma violenta por um ideal que embala como se fosse um filho, no meio de uma guerra perpétua, entre ricos e pobres.
A origem da peça remonta a 1931 quando Máximo Gorki propõe ao autor alemão Weisenborn e a Stark, dramaturgista do Volksbühne de Berlim, que seja feita uma versão cénica do seu romance "A Mãe".
Neste romance, a história de Pelagea Vlassova - uma mãe viúva que para ajudar o seu filho se envolve na luta operária e se transforma numa empenhada militante - é contada a formação do movimento revolucionário na Rússia e a actuação do partido bolchevique na preparação da Revolução de 1905.
Interessado no teatro didáctico de Bertolt Brecht, Weisenborn convida-o para colaborar neste projecto e assim nasce, em 1932, uma primeira versão de "A Mãe" com música de Eisler, projecções de Wolfgang Roth e encenação de Emil Burri.
Aquando da estreia as opiniões dividiram-se, tendo alguns críticos considerado a versão cénica "simplista e panfletária" pela imprensa de direita, enquanto a de esquerda, assim como o público, recebeu muito bem o espectáculo.
Em Portugal, "A Mãe" estreou há 33 anos, no Teatro da Trindade, pela Cooperativa de Comediantes Rafael de Oliveira, tendo sido no mesmo ano montada por diversos grupos amadores.
Sendo principalmente uma peça de interiores, "A Mãe" tem, segundo Gonçalo Amorim, "um forte eco do que vem do exterior, das ruas".
Nesta encenação, este eco é dado pela música e pelo vídeo, enquanto o espaço cénico trabalha formas geométricas simples, a linha e o plano.
"Num mundo de incertezas, esta é uma tentativa de apresentar provocações e soluções que nos façam questionar este caminho político único e difuso que, evidentemente, não nos serve", afirma o encenador.
Gonçalo Amorim referiu que "enquanto artistas vemos `A Mãe` como uma possibilidade de reflectirmos sobre as ideologias, a família, a loucura, a guerra e uma possibilidade de começarmos desde já a pensar o futuro".
Neste trabalho, o encenador teve assistência e pesquisa dramatúrgica de Ana Bigotte Vieira, sendo a cenografia de Rita Abreu, os figurinos e adereços de Ana Limpinho e Maria João Castelo.
A música é de João Paulo Esteves da Silva Músico, enquanto a tradução das canções e a recolha musical é de Pedro Bolé.
O elenco conta com Bruno Bravo, Carla Galvão, Carla Maciel, Carloto Cotta, David Pereira Bastos, Mónica Garnel, Paula Diogo, Pedro Carmo, Raquel Castro e Romeu Costa.
Este espectáculo é uma co-produção entre Gonçalo Amorim, a Culturgest, o Centro Cultural Vila Flor, o Teatro Municipal de Portimão, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes.
Os bilhetes encontram-se à venda no CCVF e no seu sítio, no endereço www.ccvf.pt.