Helder Moutinho apresenta "Maldito Fado" em Alcobaça e Porto
Helder Moutinho apresenta sábado, em Alcobaça, e domingo, na Casa da Música no Porto, "Maldito fado", um espectáculo de que é o criador e protagonista e procura fazer o encontro da canção de Lisboa com outras sonoridades.
"O que vou fazer faz-se há 80 anos, que é o encontro do fado com outras sonoridades.à guitarra portuguesa e à viola juntam-se o acordeão ou a percussão", disse à Lusa o fadista.
"Neste espectáculo - acrescentou - percorrerei os diferentes locais do fado: a cidade, o amor, a saudade e até a condição do próprio fadista".
O título do espectáculo, com estreia no sábado no Cine-Teatro de Alcobaça, pode, segundo o fadista, ser interpretado de três formas.
É - explicou - "maldito fado, ironicamente, por tanto gostarmos dele, maldito, atendendo às suas origens de faca e alguidar e à sua complexidade e, por último, pelo que o público e a crítica acham que estamos a fazer, ou seja, mantendo a raiz, juntarmos outras sonoridades".
Também poeta, Helder Moutinho canta, neste espectáculo, alguns inéditos de sua autoria, nomeadamente "Rua do Meio à Madragoa", uma homenagem a uma das primeiras ruas onde viveu, e "As quadras do maldito", com que encerra.
"Fecho com um fado menor, em quadras, onde, de certa forma, explico este espectáculo, e daí o qualificá-lo de puro e duro, pois, apesar de todas as influências que o rodeiam, o fado mantém a sua raiz", disse.
"Proponho - esclareceu - uma viagem sonora, tomando o fado como base musical, mas envolvendo-o noutras estéticas, com o atrevimento de trazer novos sons ao seu som e ao seu ser".
Ao recriar alguns fados clássicos como "Fadista louco", o fadista assinalou à Lusa que procura demonstrar "como o mesmo fado pode ser reinterpretado, de acordo com os tempos que mudam e aos quais mesmo a emoção do fado não pode ficar alheia".
O espectáculo criado e protagonizado por Helder Moutinho, com direcção musical de Manuel de Oliveira e desenho de luz de José Carlos Coelho, estará em cena em finais de Novembro, no Teatro da Trindade em Lisboa.
A acompanhar Helder Moutinho, tanto em Alcobaça como na Casa da Música, domingo, no Porto, estarão Manuel de Oliveira (guitarra clássica e viola braguesa), Ricardo Parreira (guitarra portuguesa), Diogo Clemente (viola), José Penedo (contrabaixo), Pedro Santos (acordeão) e Quine (percussão).
Hélder Moutinho, com 15 anos de carreira, foi distinguido o ano passado com o Prémio Amália Rodrigues para o Melhor Álbum, é irmão de dois outros nomes de referência do Fado, Camané (Prémio Blitz) e Pedro Moutinho (Prémio Revelação 2003 da Casa da Imprensa).
Em 1994, integrou o elenco da casa de fados Nonó, no Bairro Alto, em Lisboa.
Nesse mesmo ano, no âmbito de Lisboa - Capital Europeia da Cultura, participou no projecto "Fados da Mãe-d`Água".
Tem actuado com regularidade noutras casa de fado lisboetas, designadamente a Taverna do Embuçado e Mesa de Frades, em Alfama (Lisboa), e participou em vários espectáculos, tanto em Portugal, como no estrangeiro.
Integrou o cartaz do Festival de Rudolstadt (Alemanha), do FESTIMA (Portugal), Músicas de Cidades com Portos (Lisboa), de Nova Jérsia (EUA) e "Um Porto de Fado" (Porto), entre outros.
No ano passado editou o seu segundo álbum, intitulado "Sete fados e alguns cantos".