Integral da poetisa Fernanda de Castro inclui dois títulos inéditos

Integral da poetisa Fernanda de Castro inclui dois títulos inéditos

A obra integral da poetisa e escritora Fernanda de Castro, falecida em Dezembro de 1994, vai ser publicada ao longo deste ano pelo Círculo de Leitores (CL) e inclui a publicação de dois inéditos.

Agência LUSA /

O romance "Tudo é princípio" e a peça de teatro "Os cães não mordem" são os dois inéditos que o CL irá publicar no âmbito desta integral cujos primeiros volumes publicados dizem respeito às memórias.

Editados estão os dois primeiros volumes de "Ao fim da memória", relativos aos períodos, respectivamente, 1906-1939 e 1939- 1987.

A editora "tem como objectivo publicar a integral de todos os grandes escritores que muitas vezes são procurados nas livrarias e não encontramos", disse à agência Lusa Guilhermina Gomes, do Círculo de Leitores.

Guilhermina Gomes defendeu "a actualidade da obra" de Fernanda de Castro a quem José Carlos Ary dos Santos chamava "a mãezinha" e por quem teve sempre um especial carinho.

Além de poesia, teatro, e ficção, o CL irá publicar a obra infantil que "marcou uma época e uma geração".

Fernanda de Castro nasceu em Lisboa em 1900.

Mulher de António Ferro, director do SNI (Secretariado Nacional de Informação Cultura Popular e Turismo), ao longo da sua vida dedicou-se a causas relacionadas com a assistência à infância.

Nesse sentido foi fundadora e presidente da Associação Nacional dos Parques Infantis.

Alguns poemas seus foram adaptados ao fado por frei Hermano da Câmara, nomeadamente "Varinas" que a fadista Maria João Quadros incluiu no alinhamento do seu último álbum.

Em 1969, a sua obra "Poesia" I e II valeu-lhe o Prémio Nacional de Poesia.

Entre as várias obras que escreveu destaque para "Antemanhã" (1919), "Jardim" (1928), "O Veneno do Sol" (1928) "As Aventuras de Mariazinha" (1935), "A Pedra no Lago" (1943), "Maria da Lua" (1946) e "África raiz" (1966).

Relativamente a este poema, David Mourão-Ferreira afirmou ter a poetisa conseguido "entender até ao âmago, até à raiz, a alma secreta do continente africano".

Em 1986, oito anos antes de morrer em Lisboa, editou um livro de memórias intitulado "Ao Fim da Memória: Memórias 1906 - 1939".

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