Isabela Figueiredo quer que BD "Caderno de Memórias Coloniais" chegue a mais leitores

Isabela Figueiredo quer que BD "Caderno de Memórias Coloniais" chegue a mais leitores

A escritora Isabela Figueiredo e a artista Júlia Barata adaptaram para banda desenhada o livro "Caderno de Memórias Coloniais", no qual se fala de racismo e colonialismo, para "alargar o horizonte de leitores", sobretudo estudantes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Estamos perante um livro sobre o colonialismo e racismo português em Moçambique, escrito por uma dissidente, ou seja uma retornada, e pior, mulher", lembrou Isabela Figueiredo no posfácio à BD "Caderno de Memórias Coloniais", que acaba de ser publicada e na qual recupera o romance biográfico editado originalmente em 2009.

Isabela Figueiredo nasceu em Moçambique em 1963 e em "Caderno de Memórias Coloniais" relata a infância vivida até aos 13 anos no país, enquanto território colonizado pelos portugueses, a transição para a independência e a ida para Portugal, com o estigma de "retornada".

Na história, a escritora relata situações de puro racismo e atitudes de abuso dos portugueses brancos que viviam em Moçambique perante os habitantes locais; e o retrato é particularmente contundente em relação ao pai.

Na adaptação para BD, depois de ter sido contactada pela desenhadora Júlia Barata, Isabela Figueiredo quis transparecer "o convívio entre beleza e horror" da vida dela. Ao recriarem as situações descritas no livro, as duas autoras acrescentaram uma nova personagem -- "um coro grego de capulana" -- que assume as despesas de reflexão crítica sobre o que está a ser contado.

O resultado final, editado pela Caminho, "é e não é o mesmo livro".

"É-o no sentido em que a mensagem sobre racismo e discriminação permanece. Não o será na medida em que uma adaptação que perde em texto, perde em literalidade", escreveu Isabela Figueiredo.

Júlia Barata, que nasceu em Portugal, viveu em Moçambique nos anos 1980 -- quando Isabela Figueiredo já tinha saído do país -- e trabalha atualmente na Argentina -- desenhou as histórias a tinta-da-china e aguarela, dando corpo às contradições da vivência da escritora.

"Creio que para entender o colonialismo português devemos ler, ouvir, editar e espalhar não uma, mas as mais variadas perspetivas possíveis", afirmou Júlia Barata num posfácio à banda desenhada.

"Caderno de Memórias Coloniais" está traduzido para inglês, italiano, francês ou alemão e Isabela Figueiredo refere que "sempre foi um livro amado por um nicho de leitores académicos, intelectuais, cultos".

Com a transformação em banda desenhada, a escritora quer "alargar o horizonte de leitores, chegar aos mais novos, aos que leem menos e, sobretudo, entrar no universo estudantil", onde acredita que o livro pode ser "um instrumento de trabalho muito útil" para abordar questões sobre racismo e colonialismo.

 

 

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