João Brites e Igor Gandra recebem Prémios Almada e Ribeiro da Fonte
O fundador da companhia O Bando, João Brites, e o encenador e actor Igor Gandra recebem sábado à noite no Teatro D. Maria II, em Lisboa, os Prémios Almada e Revelação Ribeiro da Fonte, do Instituto das Artes.
Os Prémios Almada e Revelação Ribeiro da Fonte 2004 serão entregues antes do espectáculo "Tudo Isto é Fado!", com Luísa Cruz e Jeff Cohen, inserido no programa "Teatro (Des) Concertante", no âmbito do Dia Mundial do Teatro.
O Prémio Almada distinguiu este ano João Brites, fundador e director do Teatro O Bando, pelo "extraordinário contributo para o teatro português dos últimos 30 anos".
Em declarações à agência Lusa, João Brites considerou "muito gratificante" que uma companhia que tem um trabalho "um pouco marginal" seja premiada com um galardão que evoca o nome de Almada Negreiros, a partir do qual O Bando já encenou "Os Cágados" e "Amanhã".
O galardão vem "premiar a actividade de toda uma companhia que celebra este ano o 30º aniversário e que tem sido sempre um pouco marginal uma vez que desenvolve trabalhos em espaços menos convencionais".
O prémio representa o "reconhecimento por parte do Estado de uma actividade que tem sobrevivido, com muitas e graves dificuldades, à conta de subsídios que, embora escassos, têm sido bem utilizados", acrescentou o encenador.
João Brites congratulou-se ainda por o galardão ser o "primeiro prémio que recebe com uma componente monetária (25.000 euros)" que o director do grupo conta aplicar em várias iniciativas, designadamente na edição de um livro catálogo com as máquinas de cena, na publicação das Jornadas de O Bando (realizadas em 2004) e num livro com textos sobre o pensamento e a prática teatral da companhia.
Nascido em 1947 em Torres Novas, João Brites é fundador e director do Teatro O Bando e lecciona na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
É autor de inúmeros artigos sobre teatro e o processo de criação n+O Bando e orienta estágios e cursos de formação.
O Prémio Revelação Ribeiro da Fonte 2004 foi atribuído a Igor Gandra, encenador, actor e marionetista, e visa distinguir "a contemporaneidade e inovação que partilha e questiona com o seu público".
Em declarações à Lusa, Igor Gandra disse estar muito contente com a atribuição do prémio que reflecte o trabalho que tem desenvolvido e o do Teatro de Ferro, que dirige.
"Este prémio foi-me atribuído pelo trabalho que desenvolvi em 2004 e acaba por ser extensível ao Teatro de Ferro e aos seus colaboradores", salientou.
No entender de Igor Gandra, este galardão dá a ideia de que se começa a assumir a linguagem das marionetas e formas animadas como expressão importante na arte contemporânea.
Definindo o seu trabalho como de pesquisa e matriz social, Igor Gandra considera que "o teatro de marionetas e formas animadas é o ponto de partida para uma pesquisa a outras disciplinas e linguagens".
"É também o reflexo do trabalho anual intitulado "Desmontagem" que o Teatro de Ferro realiza e que possui um elenco constituído por jovens oriundos de uma situação social complicada", disse.
Para Igor Gandra, este tipo de projecto de pesquisa, onde há um aspecto social e humano muito forte, é tão válido como qualquer outro.
Igor Gandra nasceu em Viseu em 1975, frequentou o Balleteatro Escola Profissional e entre 1993 e 1999 integrou a equipa permanente do Teatro de Marionetas do Porto.
Em 1999 fundou o Teatro de Ferro e desde 2002 dirige, anualmente, um atelier multidisciplinar que se materializa num espectáculo em que participam jovens integrados em projectos de reinserção social.
Criados em 1998 pelo ex-Instituto Português das Artes e Espectáculos, os Prémios Almada têm este ano um valor de 25 mil euros e de cinco mil euros nos Prémios Revelação Ribeiro da Fonte.
Os Prémios Almada e Revelação Ribeiro da Fonte têm por objectivo destacar anualmente os artistas, criadores ou intérpretes, estruturas de produção, difusão ou formação que se tenham distinguido no panorama artístico nacional nas artes do espectáculo.
O Instituto das Artes atribuiu ainda em 2004 o Prémio Almada à associação Danças na Cidade, na área da dança, e ao compositor Filipe Pires, na música.
O Prémio Revelação Ribeiro da Fonte 2004 distinguiu a coreógrafa e bailarina Vitalina Sousa, na área da dança, e ao compositor Ricardo Rocha, na música.