Jornais e revistas em Portugal dedicam pouco espaço à fotorreportagem, lamentam profissionais
Mora, 14 abr (Lusa) - A atual falta de "espaço" para a reportagem fotográfica nos jornais e revistas em Portugal foi hoje criticada pelo júri e pelo vencedor do Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora, que defenderam que este trabalho "é muito importante".
"Acho que este tipo de histórias é absolutamente necessário e nós, fotojornalistas, estamos com falta de espaço nos jornais e nas revistas para publicar este tipo de trabalho", afirmou à Agência Lusa António Pedrosa, que venceu o galardão principal do concurso.
Os vencedores da 3.ª edição do Prémio de Fotojornalismo, promovido pela associação Estação Imagem, sediada em Mora, e pelo município, foram conhecidos hoje, na vila alentejana.
O principal galardão, precisamente o Prémio Estação Imagem, foi atribuído a "Iraquianos", de António Pedrosa, uma reportagem sobre o bairro do Iraque, em Carrazeda de Ansiães, habitado por uma comunidade de etnia cigana.
O fotógrafo, que disse estar "muito feliz" pelo reconhecimento, argumentou que o fotojornalismo em Portugal está "numa época de transição".
"Vivemos, até agora, uma época de pujança económica, em que só queríamos coisas bonitas. Acho que as revistas e os jornais ainda não entenderam que, agora, estamos numa época real, em que temos de retroceder às histórias verdadeiras que interessam às pessoas", criticou.
Também Frédérique Babin, membro do júri, considerou que este prémio, assim como a bolsa que o integra, são "muito importantes" para que a reportagem ocupe "um lugar" no fotojornalismo português.
O fotojornalismo atravessa um momento "muito complicado, com a crise", afiançou, sustentando que se deve "lutar" para que a reportagem continue.
"O fotojornalismo, para mim, não é só a vida quotidiana e as notícias [imediatas], mas também um trabalho que vai ficar para as gerações futuras", sustentou Frédérique Babin, que trabalha para o Le Monde Magazine.
Quanto ao grande vencedor desta 3.ª edição do prémio, o membro do júri justificou que a reportagem está "muito bem feita" e que, além disso, foca "um problema de Portugal", mas também "de toda a Europa".
António Pedrosa explicou que o seu trabalho integra uma "série de retratos de uma comunidade cigana transmontana", que vive no denominado bairro do Iraque.
"Aquando da segunda guerra do Iraque, esta comunidade, que vivia mais no centro da vila, foi expulsa para a periferia e, então, disse que ia para o Iraque", tendo ocupado uma antiga mina alemã de volfrâmio, recordou.
A comunidade reside aí "há oito ou 10 anos" em "condições muito más", relatou o fotógrafo, que efetuou trabalho em 2011 e não o chegou a ver publicado: "É lógico que gostava que tivesse sido publicado, mas estou aqui [como vencedor] e, por isso, não preciso de pensar em coisas menores".
RRL.
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