Jornalismo são-tomense fica mais pobre diz Sindicato
O Sindicato de Jornalistas São-tomense (SJS) considerou hoje que o jornalismo do arquipélago fica mais pobre, após o falecimento da jornalista e poetisa Conceição Lima, que a classe recordará com gratidão e orgulho pelos seus feitos.
"O falecimento da jornalista e escritora Conceição Lima deixou-nos muito triste porque trata-se de uma figura bastante importante na história dos jornalistas de São Tomé e Príncipe e todos nós estamos desolados com esta notícia (...). O jornalismo são-tomense, a partir de hoje, fica mais pobre", disse a secretária-geral do SJS, Fernanda Costa Alegre, numa mensagem lida à imprensa.
A porta-voz do SJS sublinhou que Conceição Deus Lima fez muito "para o crescimento do jornalismo de São Tomé e Príncipe", mas partiu "numa altura em que não vê o sonho concretizado", porque, segundo o sindicato, a classe está "bastante fragilizada", com problemas conhecidos e "numa luta que parece que não tem fim".
"Pode-se dizer que a São de Deus Lima foi vítima de um sistema agressivo, porque a valorização da classe está muito além do que desejamos, porque a classe jornalística são-tomense é toda manipulada, vivida sobre pressão das autoridades nacionais, não só deste Governo, mas também de outros. Então, nós acabamos por estar muito aquém daquilo que foi desejado, foi almejado, não só pela grande "São", mas também por todos nós que lutamos para melhores dias da classe jornalística", disse Fernanda Costa Alegre.
O SJS deixou "uma mensagem de gratidão, de orgulho" por tudo que Conceição Lima "fez pela classe", e endereçou "uma palavra de consternação" aos familiares e amigos da jornalista.
A jornalista e poetisa são-tomense Conceição Deus Lima morreu hoje, em São Tomé, aos 64 anos, disseram à Lusa fontes familiares.
Segundo os familiares, a poetisa são-tomense, nascida em 08 de dezembro de 1961, sentiu-se mal logo pela manhã e foi encaminhada ao hospital Central Dr. Ayres de Menezes, onde acabou por falecer por volta das 07:00 locais (06:00 em Lisboa).
Conceição Lima é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, com livros e poemas em alemão, árabe, espanhol, checo, francês, galego, italiano, inglês, shona, servo-croata e turco.
A poetisa foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.
Durante a celebração do dia da mulher são-tomense, em 19 de setembro do ano passado, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo são-tomense como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo seu papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.
Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários, e estudou jornalismo em Portugal.
Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direção na Rádio, Televisão e na imprensa escrita e depois da abertura multipartidária no arquipélago, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente O País Hoje, de que foi diretora.
Era licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King`s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres, onde residiu e trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC.
Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países.
"O Útero da Casa" (2004) foi o primeiro de vários livros, o último dos quais, "Quando os cães deixaram de falar e outras fábulas universais", foi lançado em 2025.