José Rodrigues dos Santos contesta a crítica da Pastoral a "O último segredo"
Lisboa, 26 out (Lusa) -- O escritor José Rodrigues dos Santos contesta o comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral de Cultura sobre o seu novo livro, "O último segredo", alegando que em nenhuma parte são negadas as suas afirmações sobre Jesus e a Bíblia.
Segundo uma nota do escritor enviada à Agência Lusa, o comunicado da Pastoral, emitido no início da semana, concentra-se em "`questões colaterais` porque não se pode negar o essencial da obra".
A Pastoral acusava o escritor de se propor, "com grande estrondo, arrombar uma porta que há muito está aberta". O escritor considera esta acusação "muito interessante", acrescentando tratar-se de "um reconhecimento implícito de que as afirmações que constam no livro são verdadeiras".
"De facto, no livro nada é dito de novo -- para o mundo académico, claro. Porque a verdade é que o cidadão comum nunca ouviu ninguém dizer que Cristo não era cristão, que há indícios no Novo Testamento que questionam seriamente a virgindade de Maria e que existem textos fraudulentos na Bíblia. Os académicos sabem disto, a Igreja também. O público é que não. De facto não arrombei nenhuma porta. Limitei-me a trazer esta informação para o grande público", sustenta o escritor.
A Pastoral acusa ainda José Rodrigues dos Santos de, em apenas três linhas, produzir bastantes incorreções enquanto o jornalista -- que recorreu à Bíblia Sagrada, editada pela Verbo em 1976 e reimpressa em 1982 para comemorar a visita do papa João Paulo II nesse ano a Portugal - assegura que os erros provêm de "uma mera nota bibliográfica".
O Secretariado Nacional da Pastoral de Cultura, no seu comunicado, acusa ainda o escritor de confundir "datas e factos": "promete o que não tem, fala do que não sabe", afirmação contestada por José Rodrigues dos Santos.
Quanto à acusação de que Rodrigues dos Santos "faz de Bart D. Ehrman o seu teleponto", o escritor alega ter lido esse autor norte-americano, ainda que não tenha sido o único.
Bart D. Ehrman, professor de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte, é o autor de "Misquoting Jesus", "God`s Problem" e "Jesus Interrupted", obras incluídas na lista de "best-sellers" do New York Times.
José Rodrigues dos Santos questiona a Igreja se "nega ou não que Jesus era judeu" e portanto não cristão, se "nega ou não que há fortes indícios na Bíblia de que Maria não era virgem", se "nega ou não que existem textos fraudulentos no Novo Testamento" e se "nega que nenhum dos autores do Novo Testamento conheceu pessoalmente Jesus de carne e osso".
O conhecido "pivot" assegura serem estas "questões que preocupam os fiéis que lerem o romance".
A Lusa contactou a Gradiva no sentido de saber se o livro tinha aumentado as vendas nos últimos dois dias, devido a esta polémica com a Igreja, mas a editora garantiu que não.
"A procura dos livros de José Rodrigues dos Santos mantém-se sempre constante e, neste momento, está para sair a quarta edição, com 80 mil exemplares", concluiu a fonte da editora.
"O último segredo" foi lançado no sábado passado, em Lisboa, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia.