Júlio Saúl Dias relembrado em Vila do Conde
Vila do Conde, 29 Jan (Lusa) - O Centro de Memória de Vila do Conde promove, sábado, um seminário subordinado ao tema "Júlio e o expressionismo em Portugal", no âmbito de uma exposição do pintor que está patente naquele espaço.
Este encontro pretende, segundo a autarquia local, "contribuir para um maior conhecimento da obra de Júlio, um artista vilacondense, absolutamente inovador na sua época e perfeitamente integrado nas correntes internacionais do seu período".
Júlio Maria dos Reis Pereira nasceu em Vila do Conde, no dia 1 de Novembro de 1903, e estudou pintura, durante dois anos, na Escola de Belas Artes do Porto, mas licenciou-se em Engenharia Civil.
Ao longo do seu percurso, usou o pseudónimo de Júlio, como artista plástico, e o de Saúl Dias, como poeta. Morreu em 1983.
O comissário científico desta exposição, em entrevista à Lusa, considerou o pintor como "um dos grandes artistas portugueses do século XX", devido à "grande qualidade das suas obras".
Para Bernardo Pinto de Almeida, tendo em conta o contexto português da altura, "houve três grandes artistas portugueses: Mário Eloy, Domingos Alvarez e Júlio", sendo que este último "tem sido o mais esquecido".
Por isso, o professor catedrático destaca "esforço da Câmara de Vila do Conde em ir à descoberta deste valor, porque em qualquer lugar do mundo, alguém como Júlio estaria colocado no mais alto plano dos artistas do seu século".
E porque é que a obra de Júlio é tão importante e fascinante dentro do panorama nacional e internacional?
Bernardo Pinto de Almeida aponta a sua "originalidade, porque desde o final da década de 20 que começa a realizar uma obra expressionista extraordinária e sem igual", destacando também o facto de ter uma "quantidade imensa de trabalhos".
Além disso, referiu, "o Júlio é, no início dos anos 30, o primeiro artista a introduzir o surrealismo em Portugal" - tirando a França onde nasceu aquele movimento, não se encontram estes ecos de surrealismo, a não ser cá".
Também no mesmo período, realizou alguma da "primeira abstracção" que foi outro "factor inovador".
Mais tarde, no início dos anos 40, conseguiu ainda ser o "primeiro a fazer uma aproximação ao neo-realismo que, só cerca de 15 anos depois, apareceria na arte portuguesa".
As qualidades de Júlio são imensas, mas o professor remata dizendo que foi um homem "discreto que, no entanto, conseguiu apropriar-se e imprimir na sua pintura, movimentos artísticos internacionais, sempre com muita originalidade", tornado-se num "vanguardista".
O seminário está marcado para as 15:00 no Centro de Memória de Vila do Conde (um espaço inaugurado recentemente) e vai contar, além de Bernardo Pinto de Almeida, com a presença de Rui Mário Gonçalves, artista plástico e professor catedrático, que vão debater com os participantes a vida e obra deste artista.
Segue-se uma visita guiada à exposição que ali está patente e que versa sobre 20 anos de actividade de Júlio Saúl Dias.
MYV.