Leão de Ouro para amor entre dois cowboys homossexuais
"Brokeback Mountain", um western do realizador de Taiwan Ang Lee sobre a relação amorosa entre dois homossexuais na América dos anos 1960, conquistou sábado o Leão de Ouro para o melhor filme na 62ª edição do Festival de Cinema de Veneza.
"Obrigado, é uma grande honra", declarou Ang Lee, de lágrimas nos olhos, depois de ter recebido o troféu atribuído ao seu filme, que descreve como "uma história universal sobre um amor extraordinário".
Outro grande vencedor deste festival foi o cineasta francês Philippe Garrel, que conquistou o Leão de Prata especial pela obra "Os amantes regulares", ode a preto e branco sobre o Maio de 68, assim como o prémio da melhor contribuição técnica.
"Sou um cineasta independente francês e estou orgulhoso por os italianos me recompensarem", disse.
"Os amantes regulares" deverá estrear em França a 26 de Outubro e depois na Bélgica e no Canadá.
Um Leão especial foi igualmente entregue à actriz francesa Isabelle Huppert pela sua interpretação em "Gabrielle", de Patrice Chéreau.
"Não há grandes papéis sem grandes realizadores. Agradeço do fundo do coração a Patrice Chéreau assim como ao júri", afirmou a actriz em italiano.
O cinema francófono foi particularmente galardoado: o Leão do Futuro-Melhor primeiro filme foi para "13", do realizador franco- georgiano Gela Babluani e o Prémio Marcello Mastroianni de melhor esperança para o jovem Ménothy César, do Haiti, pelo seu desempenho como gigolo em "Vers le sud", do francês Laurent Cantet.
O actor-realizador norte-americano George Clooney, dado como favorito para o Leão de Ouro com o filme "Good night good luck", sobre o combate do jornalista Edward Murrow contra o McCartismo, teve de contentar-se com o prémio de Melhor Cenário.
David Strathairn, que encarna com sobriedade o herói do filme, recebeu a taça Volpi de melhor actor.
George Clooney prestou homenagem ao homem que inspirou o seu filme: "O argumento deste filme foi escrito há 52 anos por Edward Murrow. Ele ensinou-nos a necessidade de ser responsável e de contestar sempre a autoridade".
Um outro filme norte-americano, "Mary", de Abel Ferrara, retrato de um mundo violento e atormentado, onde o espiritual procura o seu lugar, venceu o Leão de Prata - Grande Prémio do Júri.
A Itália, anfitriã deste festival, não foi esquecida no palmarés, já que a taça Volpi para a melhor actriz foi para Giovanna Mezzogiorno pela sua interpretação de uma jovem mulher atormentada face ao incesto em "La bestia nel cuore", de Cristina Comencini.
Entre as numerosas "estrelas" presentes na cerimónia figuravam Stefania Sandrelli e o cineasta Hayao Miyazaki, que receberam ambos um Leão de Ouro de Honra.