Livro de Eduardo Street evoca tempos áureos do teatro radiofónico
Os tempos áureos do teatro radiofónico, as décadas de 1950 a 1970, são evocados por Eduardo Street num livro que a actriz Carmen Dolores apresentará segunda-feira na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.
"O teatro radiofónico foi o grande divertimento nas décadas de 1940 a 1 970" e manteve "um público fiel" até à década de 1990 quando desapareceu da rádio portuguesa", disse à Agência Lusa Eduardo Street, radialista e autor de "O Teatro Invisível, História do Teatro Radiofónico".
"Nas rádios europeias continua a existir, noutros moldes, é claro, e até há uma grande competição internacional todos os anos, o Prémio Itália", acrescentou.
Recordando a época dourado do género, Eduardo Street, de 70 anos, realçou que "a inocência era outra" e que o teatro radiofónico foi "o grande divulgador de autores portugueses".
O livro, editado pela Página4, com prefácio do actor Rui de Carvalho, é também "uma homenagem a todos o que fizeram" o teatro radiofónico e "um testemunho para as novas gerações".
É "uma história amena onde se contam alguns episódios, se fala das pessoas que o fizeram dando o devido destaque a algumas delas", disse Eduardo Street .
O autor destacou nomeadamente Olavo d`Eça Leal, Francisco Mata, Alice Ogando, Odete Saint-Maurice e a actriz Carmen Dolores, que segunda-feira apresentará o livro na Sala Carlos Paredes, na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisbo a.
"A Carmen começou na rádio e é a primeira grande actriz do teatro radiofónico", frisou.
Eduardo Street é o profissional que mais peças de teatro, folhetins e séries realizou na história da rádio portuguesa, e continua a trabalhar na RDP, na Antena 2.
Começou na Rádio Universidade em 1953, onde escreveu, sonorizou e realizou programas na área da História, Literatura e Teatro.
A primeira peça de teatro que sonorizou foi "O Iconoclasta", de Fernando Amado, no Teatro Avenida, em 1955.
No ano seguinte, foi convidado pelo produtor e realizador Cunha Teles, para sonorizar jornais e documentário cinematográficos.
Em 1963 entrou para os quadros da Emissora Nacional, na qual ingressara em 1958, colaborou ainda com a Rádio Renascença e o Rádio Clube Português.
Paralelamente ao teatro radiofónico, sonorizou filmes de António Lopes Ribeiro, Perdigão Queiroga e Francisco de Castro.