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Luís Miguel Cintra e Beatriz Batarda juntos numa peça de Ibsen

Luís Miguel Cintra e Beatriz Batarda juntos numa peça de Ibsen

Luís Miguel Cintra e Beatriz Batarda são os actores principais da peça "O Construtor Solness", de Henrik Ibsen (1828-1906), que abre a nova temporada do Teatro da Cornucópia a 27 de Setembro.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Solness é um construtor de prestígio de uma pequena cidade norueguesa e atravessa uma crise. Não encontra sentido para a sua vida e a sua obra, ao mesmo tempo que vive atormentado pelo medo que os mais jovens lhe queiram tirar o poder que conquistou.

Na peça da Cornucópia, Luís Miguel Cintra é Solness, tendo abandonado o habitual duplo papel de encenador e actor para se dedicar só a este último.

A seu lado no palco vai estar Beatriz Batarda, que faz o papel de Hilde, uma jovem vinda das montanhas que chega a casa do construtor para lhe recordar uma promessa que fizera há 10 anos, quando ela ainda era uma criança, e exigir-lhe que a cumpra.

Este é também o regresso de Beatriz Batarda à Cornucópia, 10 anos depois de ali ter iniciado a sua carreira teatral.

A peça tem sete personagens, mas tudo gira em torno do encontro de Hilde e Solness, afirmou à Lusa o encenador espanhol Carlos Aladro, convidado por Cintra a dirigir o novo espectáculo da Cornucópia.

"Como espectáculo, `O Construtor Solness` é um `tour de force` de dois actores, uma actriz jovem e um actor mais velho", disse à Lusa o encenador, elogiando o trabalho de Cintra e de Batarda.

"O trabalho dos dois é muito especial, apesar de esta ser uma peça difícil, que se faz muito pouco. Ibsen é um grande autor e esta peça tem muitos níveis de leitura, há que encontrar actores capazes de interpretá-los sem que a peça se torne numa coisa muito densa ou filosófica porque se trata de entretenimento", afirmou Aladro.

A escolha da peça foi feita por Luís Miguel Cintra. "Imagino que queria enfrentar o desafio de interpretá-la e tinha a actriz que podia acompanhá-lo nesse desafio", avançou Aladro, que trabalhou com o fundador da Cornucópia como assistente de encenação há cerca de dois anos, em Madrid, na "Comedia sin Titulo", de Garcia Lorca.

Para o encenador, trata-se "de uma peça de imensa violência interior".

A representação começa com uma frase amarga: "Não, creio que não vou aguentar muito mais".

"Todos os personagens ao longo do texto dizem algo parecido. É esse o seu estado de ânimo", exemplificou Aladro.

Os ensaios deste texto começaram em Junho, prolongaram-se pelo mês de Julho, foram interrompidos para férias em Agosto e retomados agora no início de Setembro.

"O que me interessa como encenador é que a forma de trabalhar dos actores, a maneira de expressar os sentimentos seja muito contemporânea", adiantou Aladro.

Cristina Reis é a autora dos figurinos e cenário, sendo este, nas palavras do encenador espanhol, "um espaço abstracto, cinzento, muito aberto, com grande protagonismo da luz".

Com um elenco que inclui ainda Duarte Guimarães, Luís Lucas, José Manuel Mendes, Sofia Marques e Teresa Sobral, a peça vai estar em cena até 4 de Novembro.


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