"Macau", de Paulo Henriques Britto, vence o Prémio Portugal Telecom
A colectânea de poesias "Macau", de Paulo Henriques Britto, foi a grande vencedora do Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, edição 2004, anunciaram terça-feira os organizadores.
O segundo colocado foi o livro de contos "O Voo da Madrugada", de Sérgio Sant+Anna, e em terceiro lugar ficou o romance "A Margem Imóvel do Rio", de Luís António de Assis Brasil.
"O Prémio Portugal Telecom foi criado há pouco tempo e já se estabeleceu como um galardão da maior importância para a literatura brasileira. Vencê-lo representa uma grande satisfação", afirmou o poeta Paulo Henriques Britto.
Nascido no Rio de Janeiro, Paulo Henriques Britto é professor e tradutor, tendo iniciado a sua carreira de poeta em 1982, com o livro "Liturgia da Matéria", seguidos por "Mímica Lírica" (1989) e "Trovar Claro" (1997).
Na colectânea "Macau", Paulo Henriques Britto sugere, através de poesias de formas fixas, como o soneto, acompanhado por imagens prosaicas e por bom humor, que a linguagem é um território que precisa ser conquistado.
"A selecção dos dez finalistas do Prémio Portugal Telecom mostra um momento de grande diversidade na literatura brasileira, com diferentes vozes e estilos", disse Henriques Britto.
"O Voo da Madrugada" reúne 16 textos que misturam erotismo com especulação filosófica, sendo que o conto que dá título ao livro narra um voo nocturno que transporta parentes de pessoas mortas num acidente de avião.
Sérgio Sant+Anna, um dos nomes de maior destaque da literatura brasileira contemporânea, salientou que as dez obras seleccionadas para a final do Prémio Portugal Telecom reflectem "um conjunto de peso de obras inventivas".
"Todos os géneros foram contemplados, com autores estreantes e outros que já publicaram muitas obras, o que garantiu um conjunto equilibrado", afirmou Luís António de Assis Brasil.
O romance "A Margem Imóvel do Rio" narra a trajectória de um historiador enviado ao Estado do Rio Grande do Sul pelo último imperador brasileiro, D. Pedro II.
A cerimónia de entrega do Prémio Portugal Telecom de Literatura reuniu cerca de 1.200 convidados, tendo como apresentadores o escritor Nelson Motta e a actriz Julia Lemmertz.
O evento fez uma homenagem ao poeta Vinícius de Moraes, com a apresentação de suas principais canções nas vozes dos cantores Carlos Lyra e Olívia Byington.
"O nosso objectivo é colocar o Prémio Portugal Telecom entre a dúzia dos grandes prémios mundiais de literatura", afirmou o presidente da Portugal Telecom no Brasil, Eduardo Correia de Matos.
"Estamos apenas no começo, mas convencidos de que vamos chegar lá. O prémio já é o maior e mais prestigiado do Brasil, uma grande festa da literatura brasileira", salientou Correia de Matos.
Carlos Vasconcellos, presidente da PT Investimentos Internacionais, unidade do grupo português responsável pelos activos fora de Portugal, ressalvou que o galardão tornará a marca Portugal Telecom mais conhecida no Brasil.
"Como um grupo de origem portuguesa, nada melhor do que investir na língua portuguesa, que aproxima Brasil e Portugal", disse Carlos Vasconcellos.
O Prémio Portugal Telecom destacou as três melhores obras de criação literária (romance, conto, crónica, poesia e dramaturgia) publicadas em 2003, editadas em língua portuguesa, de autor brasileiro e em primeira edição no Brasil.
Os vencedores receberam prémios de 28 mil euros (100 mil reais), 8,3 mil euros (30 mil reais) e 5,6 mil euros (20 mil reais), respectivamente o primeiro, segundo e terceiro colocados, além de um troféu criado pelo artista plástico Paulo Von Poser.
Os prémios foram dados por um júri de 10 nomes, escolhidos por 213 críticos literários e professores universitários de todas as regiões do Brasil.
A lista dos dez finalistas do Prémio Portugal Telecom, anunciada em Agosto, incluiu igualmente os romances "Budapeste", de Chico Buarque de Holanda, "Bangalô", de Marcelo Mirisola, "Céu de Lona", de Décio Pignatari, "Geografia Íntima do Deserto", de Micheliny Verunschk, "Memórias Inventadas", de Manuel de Barros, e "Não Poemas", de Augusto Campos.
Entre os dez finalistas deste ano esteve igualmente o romance "Mongólia", do escritor Bernardo Carvalho, um dos vencedores da edição de 2003 do Prémio Portugal Telecom de Literatura.
O Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, actualmente o maior oferecido aos escritores do Brasil, foi instituído em 2002 para celebrar a língua portuguesa e a literatura brasileira.