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Madredeus despedem-se dos palcos por um ano com concerto em Tóquio

Madredeus despedem-se dos palcos por um ano com concerto em Tóquio

Os Madredeus encerram quinta-feira em Tóquio a digressão "Um Amor Infinito", entrando depois num ano sabático, que será marcado por uma redução do número de espectáculos, para evitarem problemas financeiros.

Agência LUSA /
Surgidos nos anos 80, os Madredeus centraram-se na criação de um repertório que recuperasse alguma tradição popular portuguesa DR

"O grupo que Portugal conhecia, que tocava oitenta vezes em sessenta cidades do mundo, acabou. Isso não vamos fazer no próximo ano", afirmou Pedro Ayres Magalhães, mentor dos Madredeus, em entrevista à agência Lusa.

Pedro Ayres Magalhães admitiu que uma das causas para esta nova interrupção se prende com questões financeiras.

"Não é possível financeiramente manter uma iniciativa independente e fazer tantos concertos. Achámos melhor não nos metermos no mesmo programa porque correríamos o risco de recorrer ao crédito", admitiu.

Depois do concerto no Bumkamura Orchard Hall, em Tóquio, já esgotado, Pedro Ayres Magalhães dá por terminada a quinta digressão da história do grupo, elegendo-a como "o melhor concerto dos Madredeus de sempre".

É o fechar de um ciclo que contou com centenas de concertos nos mais distantes pontos do planeta e que, segundo Pedro Ayres, permitirá ao grupo reorganizar-se internamente.

"Como autor posso encontrar outras saídas para divulgar o repertório passado. O meu trabalho foi fazer um repertório português e pô-lo no mapa, criar espectáculos dignos e divulgá-los em várias nações", afirmou o autor da maioria das composição dos Madredeus.

Os Madredeus, que venderam três milhões de discos em todo o mundo, são um dos raros casos na música portuguesa em que uma banda tem sucesso internacional constante ao longo de vários anos.

No entanto, o músico reconheceu que em Portugal foi muito difícil divulgar a música dos Madredeus.

"Ficámos marcados pelo sucesso do `Existir e d`Os dias da Madredeus e em Portugal o grupo parece já muito antigo quando passam os dez anos", criticou Pedro Ayres Magalhães.

Com duas décadas de existência - o álbum de estreia, "Os dias da Madredeus", faz vinte anos em 2007 - os Madredeus já tiveram várias vidas, com a saída de Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro e a entrada de Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice.

Da formação inicial prevalecem Pedro Ayres Magalhães, o fundador do projecto, e Teresa Salgueiro, a musa e intérprete das canções.

Surgidos nos anos 80, onde fervilhavam as novidades pop rock, os Madredeus centraram-se na criação de um repertório que recuperasse alguma tradição popular portuguesa, assente numa voz peculiar e de características invulgares como a da Teresa Salgueiro.

"A nossa música é um desafio. Especializámo-nos em fazer música desconhecida", descreveu Pedro Ayres Magalhães.
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