Memórias de Eugénio Lisboa vencem Grande Prémio de Literatura Biográfica da APE

Memórias de Eugénio Lisboa vencem Grande Prémio de Literatura Biográfica da APE

Lisboa, 03 nov (Lusa) -- A obra "Acta Est Fabula -- Memórias I -- Lourenço Marques (1930-1947)", de Eugénio Lisboa, foi distinguida com o Grande Prémio de Literatura Biográfica 2012/2013, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Escritores (APE), que institui o galardão.

Lusa /

O júri, que escolheu a obra de Eugénio Lisboa "por unanimidade", foi constituído por José Correia Tavares, que presidiu, António Cândido Franco, Isabel Cristina Rodrigues e Teresa Martins Marques, lê-se no comunicado da APE.

Segundo a mesma fonte, a concurso apresentaram-se 44 obras de autores portugueses, publicadas por 26 editoras nos domínios da biografia e autobiografia, memorialístico e diarístico.

O galardão, bienal, tem o valor pecuniário de 5.000 euros e é patrocinado pela Câmara Municipal de Castelo Branco.

Nas três últimas edições, o Grande Prémio de Literatura Biográfica da APE distinguiu "Diário Quase Completo", de João Bigotte Chorão, "Biografia de Eça de Queirós", de A. Campos Matos, e "Tempo Contado", de J. Rentes de Carvalho.

A obra "Acta Est Fabula -- Memórias I -- Lourenço Marques (1930-1947)" foi publicada em 2012 pela Opera Omnia, editora com sede no Porto, e é o primeiro volume das memórias do ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa, nascido, há 84 anos, na capital da então província ultramarina de Moçambique (designação da divisão administrativa criada pela ditadura do Estado Novo) -- Lourenço Marques, atual Maputo.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, foi adjunto do diretor mundial de exploração da Compagnie de Française des Pétrolesfoi, ramo onde se manteve até meados da década de 1970, quando passou a acumular as funções com as de professor de Literatura Portuguesa, nas Universidades de Estocolmo e da antiga cidade de Lourenço Marques.

A APE realça que Eugénio Lisboa dirigiu, com o poeta Rui Knopfli, os "cadernos literários de jornais desafetos ao regime [de ditadura, anterior ao 25 de Abril de 1974], casos de A Tribuna e A Voz de Moçambique".

"A generalidade dos ensaios que escreveu e publicou em Moçambique foram coligidos nos dois volumes de `Crónica dos Anos da Peste` (1973 e 1975, tomo único desde 1996)", afirma a APE, acrescentando que o autor "fez teatro radiofónico no Rádio Clube de Moçambique, a partir de textos de Jean Racine, Ibsen e José Régio".

De 1978 a 1995 foi conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Londres e presidiu à Comissão Nacional da UNESCO, de 1996 a 1998.

Ao longo da carreira, colaborou com vários órgãos de comunicação social, como os jornais Notícias da Beira, Diário de Moçambique, A Capital e Diário Popular, as revistas O Tempo e o Modo, Colóquio-Letras, Nova Renascença, Oceanos e Ler.

Eugénio Lisboa é Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham, do Reino Unido (1988) e pela de Aveiro (2002). O Estado português condecorou-o com o grau Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Armando Vieira de Sá, John Land e Lapiro da Fonseca são pseudónimos usados por Eugénio Lisboa.

"O Segundo Modernismo em Portugal", "José Régio -- Uma Literatura Viva", "Poesia Portuguesa -- do `Orpheu` ao Neorrealismo", "As Vinte e Cinco Notas do Texto José Régio ou A Confissão Relutante", "O Objeto Celebrado", "Portugaliae Monumenta Frivola", "O Essencial sobre José Régio" e "Indícios de Oiro" são algumas das obras de ensaio e poesia de Eugénio Lisboa.

A APE não adianta ainda quando e onde será entregue o galardão.

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