Miguel Carvalho apresenta "Por dentro do Chega" no festival literário Palavras de Fogo na Lousã
O livro "Por Dentro do Chega", do jornalista Miguel Carvalho, é apresentado no próximo dia 03 de março no âmbito 9.º Festival Literário Internacional do Interior (FLII) - Palavras de Fogo.
"Em solidariedade com Miguel Carvalho, o FLII convidou o autor a apresentar o livro na Lousã, após a Câmara de Penacova ter cancelado a sua participação, nessa data, no Festival Literário local", afirma a organização em comunicado.
A obra é apresentada no dia 03 de março, às 18:30, no auditório da Biblioteca Municipal Comendador Montenegro, na Lousã, distrito de Coimbra.
"A liberdade de expressão e de imprensa são esteios de uma sociedade democrática que valoriza a pluralidade de opiniões, fazendo parte da matriz constitucional que, em Portugal, protege igualmente a liberdade de criação intelectual, artística e científica", lê-se na apresentação do FLII.
O festival acrescenta que "acolhe esses valores desde a primeira edição, em 2018, e fica muito honrado com a disponibilidade de Miguel Carvalho para apresentar a sua obra na Lousã, onde a Arte-Via [organizadora do festival] nasceu e tem sede há 27 anos".
A sessão de apresentação conta com a presença do autor, da jornalista Paula Sofia Luz e da escritora Ana Filomena Amaral, fundadora do FLII.
O FLII - Palavras de Fogo é organizado pela Arte-Via - Cooperativa Artística e Editorial, em parceria com diversas entidades públicas e privadas, na Lousã e noutros municípios da Região Centro do país, nos dias 07 a 10 de maio.
A edição deste ano é dedicada à escritora e bióloga Clara Pinto Correia, que morreu no passados dia 09 de dezembro, em Estremoz.
"Genocídios, o interior negro da Humanidade" é o tema desta edição.
O livro "Por dentro do Chega" é uma investigação em que Miguel Carvalho "revela a face oculta" desse partido, afirma o FLII -- Palavras de Fogo que cita a sinopse da obra.
"Com recurso a milhares de páginas de documentos inéditos e largas dezenas de entrevistas exclusivas com fundadores, financiadores, atuais e antigos dirigentes e militantes, `Por dentro do Chega` é, sobretudo, um retrato do partido por aqueles que o criaram e o fizeram. Sem filtros", cita a organização.
A participação do jornalista e escritor Miguel Carvalho no Festival Literário de Penacova, a decorrer entre 02 e 07 de março, organizado pelo município, foi cancelada por instruções do presidente de Câmara, confirmou o autor de "Por dentro do Chega" à agência Lusa, em janeiro.
Miguel Carvalho relatou, numa publicação nas redes sociais, ter recebido um `email` a cancelar a sua presença "por instruções diretas do presidente de Câmara, eleito pelo PSD e, curiosamente, ex-jornalista", sem, no entanto, identificar o autarca.
"Foi-me comunicado, por `e-mail`, que a ordem foi dada pelo presidente [da Câmara]. E, obviamente, 51 anos depois do 25 de Abril, não vou tolerar este tipo de coisas em nenhuma circunstância", disse o jornalista.
O presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, por seu lado, numa resposta por escrito à Lusa, recusou a existência de censura, afirmando que se tratava de uma opção de "conteúdos do festival" e da recusa de "temáticas politico-partidárias".
"Tratando-se de um evento organizado por uma instituição pública entendemos, desde a primeira hora, que não devemos incluir temáticas politico-partidárias. Como é óbvio, isto é válido para todo o espetro político".
Álvaro Coimbra indicou ainda que desconhecia a exstência de um convite ao autor. "Foi um erro de programação que não deveria ter acontecido", afirmou.
Para o jornalista, este foi "o mais grave episódio até ao momento", mas não foi único: "Outras autarquias que me tinham convidado para determinadas sessões, também recuaram para, e passo a citar, `não terem problemas`", assinalou.
O jornalista Miguel Carvalho nasceu no Porto, em 1970, cursou Radiojornalismo, trabalhou no Diário de Notícias (1989-1997), no semanário O Independente (1997-1999) e na revista Visão (1999-2023). Venceu o Prémio Orlando Gonçalves de Jornalismo, em 2008 e 2020, o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009, o Prémio Gazeta de Imprensa, em 2022, e o Prémio Jornalismo de Excelência Vicente Jorge Silva, em 2023.
É autor de sete livros entre os quais "Quando Portugal ardeu" (2017) e "Amália - Ditadura e revolução, a história secreta" (2020).