Ministério da Economia deve assumir áreas como o cinema e o património, considera secretário de Estado
O secretário de Estado da Cultura defendeu quinta-feira a assunção de certas áreas da cultura pelo Ministério da Economia e citou o cinema e o património.
Francisco José Viegas falava na associação cívica Sedes, em Lisboa, e afirmou-se cauteloso relativamente à expressão "política cultural", que titulou a sua alocução, por se aproximar da de "política de espírito".
O governante, que falava para uma sala com cerca de cem pessoas, referia-se a um dos postulados do regime anterior ao 25 de Abril de 1974, teorizado por António Ferro.
Uma matéria que afirmou ser-lhe grata é a da "educação artística" e defendeu um maior empenhamento junto dos mais novos "para a criação de públicos".
Sobre o cinema, Francisco José Viegas defendeu "a reativação" do FICA (Fundo de Investimento de Cinema e Audiovisual) e uma maior colaboração com a televisão.
A este propósito, afirmou que a partir de janeiro há uma lei que impõe uma quota de produção nas televisões de 50 por cento em língua portuguesa.
Referindo-se ao FICA, o responsável pela pasta da cultura disse estar "a terminar com o Ministério da Economia um modelo para recuperar o Fundo quer pela via da televisão quer pela do cinema" e referiu uma "agenda europeia" nesta área.
Segundo Francisco José Viegas haverá cerca de 20 milhões de fundos europeus para o cinema, "se organizarmos o FICA".
Definiu o FICA como "um motor, um investimento no cinema" que deve dar atenção a áreas como o guionismo e o apoio à distribuição e à exportação.
Numa conversa em que apresentou "algumas pontas soltas", Viegas afirmou que prepara um setor no seu gabinete para encontrar e detetar apoios financeiros europeus para diferentes áreas, "como a digitalização, atualmente em curso".
O secretário de Estado disse ainda, a este propósito que "a área da edição [livreira] está mais ligada à economia" e referiu os problemas com "a rede de retalho", questões como "margem de lucro e exportação".
Quanto ao património, o secretário de Estado defendeu uma maior ligação com o turismo.
Francisco José Viegas considera que se o turismo beneficia do património deve também contribuir para os investimentos, que considerou necessários e urgentes.
Defendendo uma maior interligação entre cultura e turismo, Francisco José Viegas citou como caminho a seguir o programa de roteiros como as rotas das catedrais, do românico, das fortalezas atlânticas, ou o das redes, como a dos sítios arqueológicos.
"As pedras não falam", disse Francisco José Viegas que defendeu "a estabilização de uma rede nacional de monumentos e museus" com o objetivo de "qualificar".
O governante defendeu também "um modelo de gestão para os museus e os monumentos nacionais que aproveite o turismo interno e externo".
O teatro foi outra área aborda tendo Francisco José Viegas afirma que "está a trabalhar em propostas de regulamento" e "está a ouvir as companhias" e afirmou que "uma marca que perpassa nos últimos 20 anos" no relacionamento entre Estado e companhias que "é a da desconfiança pura".
Relativamente a apoios, o secretário de Estado foi claro: "Não há dinheiro para prosseguir com a política de apoios como foi até aqui", acrescentando que "os fundos diminuíram drasticamente" e que será "necessário fazer opções difíceis, algumas até dolorosas".
Face ao pouco "desenvolvimento de público em Portugal", Francisco José Viegas alvitrou a opção por "um repertório mais popular que seduza e que chame as pessoas para o outro tipo de teatro".
No futuro serão apoiados apenas os "projetos de excelência e exemplares", sentenciou.