Ministra da Cultura inaugura museu do contrabando e emigração em Melgaço

Ministra da Cultura inaugura museu do contrabando e emigração em Melgaço

O antigo matadouro de Melgaço reabre sexta-feira transformado em museu do contrabando e da emigração clandestina, um investimento de um milhão de euros que será inaugurado pela ministra da Cultura, informou fonte autárquica.

Agência LUSA /

Com dois pisos, o museu, intitulado Espaço Memória e Fronteira, apresenta logo na recepção um mapa do concelho, com identificação dos limites de fronteira e localização dos postos de guarda-fiscal e a recriação de um balcão de câmbios.

O rés-do-chão conta ainda com a sala do contrabando, onde podem ser apreciadas algumas peças originais, como um barco, uma torradeira de café, ou uma farda.

Ao longo da rampa, que liga os dois andares, são abordadas as causas da emigração, a preparação da viagem e a viagem propriamente dita, através de vitrinas com diversos objectos, nomeadamente malas e passaportes, entre outros.

No topo da rampa, o visitante encontra um espaço dedicado à chegada e à vivência no país de acolhimento, que retrata, por exemplo, as condições de habitação e de trabalho, e as comunidades portuguesas no mundo.

Já no piso superior, é tratado o reflexo da emigração no concelho de Melgaço, através de painéis com usos e costumes importados, em áreas tão diferenciadas como o vestuário, a alimentação, arquitectura, a música ou os "souvenirs".

No auditório anexo, são passadas histórias também relacionadas com a temática do espaço museológico.

"Há estórias duras, mas ao mesmo tempo deliciosas, sobre emigração clandestina através de vários pontos de Melgaço, como o rio Minho, Fiães, Castro Laboreiro e S.

Gregório, que queremos ver contadas nesse espaço, para que as actuais gerações tenham conhecimento daquela realidade histórica", referiu, agência à Lusa, o presidente da Câmara de Melgaço.

"O mesmo acontece com o contrabando que - salientou Rui Solheiro - "no tempo da ditadura era quase uma actividade comercial".

Para perpetuar tudo isto, os técnicos da câmara recolheram documentação junto dos serviços alfandegários e de emigração, jornais e particulares, que juntaram a outro material que já estava guardado no arquivo municipal.

"Queremos que seja um espaço vivo, pelo que contamos poder disponibilizar testemunhos na primeira pessoa de quem sentiu na pele e viveu por dentro a emigração clandestina e o contrabando", disse ainda o autarca de Melgaço.

O Espaço Memória e Fronteira localiza-se na envolvente do rio do Porto, sobre o qual foi construído um pontão para ligar o edifício ao centro da vila.

A infra-estrutura vai dispor ainda de um gabinete de atendimento a emigrantes e imigrantes, para potenciar o retorno dos primeiros e a dar toda a informação e orientação aos segundos.

A Câmara Municipal de Melgaço tem vindo a constituir núcleos museológicos no concelho, como a Torre de Menagem, as ruínas arqueológicas da Praça da República, a Casa-Museu de Castro Laboreiro e o Museu do Cinema.

Este último está instalado no edifício do antigo posto da Guarda Fiscal, sendo o seu recheio composto por bens doados à câmara pelo cineasta francês Jean Loup Passek, nomeadamente aparelhos e objectos de pré-cinema do século XX, cartazes originais em tela e fotografias diversas.

A autarquia já criou o Centro de Apoio Logístico dos Núcleos Museológicos, que funciona como uma espécie de "reserva aberta" de espólio dos vários espaços, permitindo consultas aos diversos tipos de documentação relativa ao património concelhio.

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