Mordomos da Ilha Terceira unidos contra valor excessivo das taxas de licenças para festas
Angra do Heroísmo, 09 jun (Lusa) - O protesto contra o elevado montante cobrado em taxas de licenciamento para a realização de festas está na origem da criação da Associação de Mordomos da Ilha Terceira (AMIT), recentemente constituída por pessoas ligadas a comissões de festas.
"As comissões pagam muito dinheiro em taxas de licenciamento", afirmou Rui Nogueira, um dos promotores da associação, para quem esta situação pode colocar em causa a realização de festas tradicionais em toda a ilha, recordando que o mês de maio teve menos touradas à corda do que no ano anterior e que a festa de agosto que se realiza na Vila Nova, concelho da Praia da Vitória, "ainda não tem mordomos".
Rui Nogueira, que é presidente da Junta de Freguesia da Vila Nova e já foi mordomo das festas tradicionais desta localidade em várias ocasiões, conhece bem os problemas que enfrenta quem integra voluntariamente as comissões que organizam as festividades.
"No ano passado, fizemos um peditório e juntámos 3.000 euros, mas depois, quando fomos pagar o policiamento e as taxas, ficámos sem o dinheiro", afirmou, alertando que as pessoas começam a ficar "revoltadas" com este excesso de taxas.
As despesas de uma festa tradicional envolvem o seguro, a caução para a limpeza da estrada, os serviços prestados pela PSP e pelos bombeiros, licenças autárquicas e licenças para o lançamento de foguetes.
A soma varia consoante a dimensão do arraial e a duração da festa, mas, no caso da Vila Nova, o montante total oscila entre 2.600 e 3.000 euros.
"Se são os mordomos que fazem as festas, se são eles que trabalham para que a nossa economia ganhe com as festas, penso que é um absurdo cobrar esse dinheiro todo", afirmou, apontando o exemplo da licença para o lançamento de foguetes, que passou de 5 para 105 euros, e é obrigatória até para quem se limita a acolher os símbolos do Espírito Santo durante uma semana.
Rui Nogueira defendeu também que seja revisto o montante pago à PSP, através da redução do número de agentes que se deslocam às touradas à corda, realizadas na estrada, que, dependendo do número de ruas envolvidas no arraial, pode variar entre seis e 12 elementos.
"As pessoas da ilha são avisadas atempadamente pelos jornais, até há um folheto com as touradas que se realizam nas freguesias. Todos sabem que, se forem a uma tourada, vão ter de esperar ou escolher caminhos alternativos", afirmou, considerando que a presença policial, apesar de importante, pode ser em menor número.
O descontentamento existente fez com que a primeira reunião da Associação de Mordomos da Ilha Terceira, que ainda não elegeu órgãos dirigentes, reunisse mais de meia centena de pessoas que pertencem ou já pertenceram a comissões de festas.
Para tentar ultrapassar a situação, alguns associados já se reuniram com a Câmara Municipal da Praia da Vitória e com a PSP.