Cultura
Morreu o escritor israelita Amos Oz
Morreu, com 79 anos de idade, o laureado escritor israelita Amos Oz, várias vezes nomeado como candidato ao Nobel da Literatura, que era também uma personalidade conhecida de várias manifestações pela paz e por um certo entendimento com o povo palestiniano.
O escritor nascera em 1939, em Jerusalém, ainda na Palestina do mandato britânico e crescera no Kibbutz Hulda. Em 1961 publicou o primeiro dos seus 18 livros, que abrangem uma multiplicidade de géneros literários, incluindo romances, novelas e ensaios.
Os seus livros mais famosos são conhecidos pelos títulos em língua inglesa: Black Box, A Tale of Love and Darkness (que lhe valeu o Prémio Goethe) e ainda In the Land of Israel. Boa parte da ficção que escreveu está centrada na vida dos Kibbutz.
É também autor de uma abundante publicística, com uns 500 artigos e ensaios publicados na imprensa israelita e internacional. Os seus livros e artigos estão traduzidos em 45 idiomas.
Oz cumpriu o serviço militar antes de entrar na universidade, voltou às fileiras em 1967 durante a "Guerra dos Seis Dias", e novamente em 1973 durante a "Guerra de Yom Kippur". A partir destas experiências traumáticas, passou a participar em diversos movimentos pacifistas, mas sem abandonar a sua adesão ao sionismo. Em 1977 foi, nomeadamente, cofundador e porta-voz do movimento "Paz Agora" (Schalom Achschaw).
No diário espanhol El Pais, em que publicava frequentes colaborações, comentou em junho de 2010 a carnificina cometida pelos militares israelitas contra o navio turco Mavi Marmara, que rumava a Gaza em solidariedade com a população sitiada, classificando como "repugnante" o cerco a que Israel submete a Faixa. Aí afirmava também que "o Hamas não é somente uma organização terrorista. É uma ideia desesperada e fanática que surgiu da desolação e da frustração de muitos palestinianos".
E, acrescentava em seguida, "nunca se derrotou nenhuma ideia pela força; nem cercando-a, nem bombardeando-a, nem esmagando-a com carros de combate, nem com uma incursão de comandos. Para derrotar uma ideia é preciso oferecer outra melhor, mais atraente e aceitável".E concluía preconizando uma negociação com o Hamas e com a Fatah, de Mahmmud Abas.
O diário israelita Haaretz, que tem a notícia da morte de Oz como principal destaque, cita uma recente reacção sua, marcada por certa ambiguidade, sobre a questão de Jerusalém, numa entrevista concedida em Abril a uma televisão alemã: "Não sei o que futuro reserva a Jerusalém, mas sei o que devia acontecer. Todos os países do mundo deviam seguir o presidente Trump e mudar para Jerusalém a sua embaixada em Israel. Ao mesmo tempo, cada um destes países devia abrir a sua própria embaixada em Jerusalém Leste como capital do povo palestiniano".