Morreu Pepín Bello, o último sobrevivente da "geração de 27"

Morreu Pepín Bello, o último sobrevivente da "geração de 27"

Madrid, 11 Jan (Lusa) - Pepín Bello, o último sobrevivente da "Geração de 27" e catalisador desse grupo cultural, morreu hoje na sua casa em Madrid aos 103 anos, informou a família.

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Bello era presidente honorário da Associação de Amigos da Residência de Estudantes de Madrid, onde conheceu e se tornou amigo de Federico García Lorca, Luis Buñuel e Salvador Dalí, entre outros nomes cimeiros da Cultura espanhola.

José Bello Lasierra (1904, Huesca), mais conhecido como "Pepín", entrou em 1915 na secção infantil da Residência de Estudantes e, em 1921, na secção universitária.

Apesar de não deixar legado artístico, são-lhes atribuídas as representações oníricas denominadas "putrefactos" ou "carnuzos", utilizadas por Dalí e Buñuel, e bem assim a criação dos "anaglifos" (sobreposição de duas imagens que produz a impressão de relevo).

Deixou escritas as suas memórias no livro "Conversaciones con José Pepín Bello", fruto de 40 horas de entrevista com os jornalisas e poetas David Castillo e Marc Sardá, que o definiram como "o grande catalisador" da "Geração de 27".

Segundo os dois autores, o período mais intensamente vivido por Pepín Bello foi o da sua estada na Residência de Estudiantes, quando, na secção universitária, conheceu Lorca, Buñuel, Dalí e outros vultos da Cultura espanhola.

Em Maio último apresentou o livro "Ola, Pepín", tendo afirmado na altura que encontrara na Residência de Estudantes, quando jovem, "elegância, gosto pela arte e amizade".

Pepín Bello recebeu numerosos galardões, entre os quais a Grande Cruz da Ordem Civil de Afonso X o Sábio, em 2001, e a Medalha ao Mérito em Belas Artes en 2004.

No livro "Bartbleby e companhia", o escritor Enrique Vila-Matas descreve-o como "o arquétipo genial do artista hispano sem obras".

RMM.


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