Morte de Ibrahim Ferrer é importante perda para a música cubana
A morte do cantor Ibrahim Ferrer, uma das figuras mais marcantes do mítico grupo "Buena Vista Social Club", é considerada uma importante perda para a música tradicional cubana.
Ibrahim Ferrer, nascido em 1927 em Santiago de Cuba, faleceu a meio da tarde de sábado, num hospital de Havana, onde foi internado devido a uma doença gastrointestinal.
O artista tinha regressado esta semana da Europa, onde promoveu o seu último trabalho, "Mi sueno. A bolero songbook", uma colecção de boleros antigos com os quais Ferrer se distanciou do tradicional som cubano.
Com este novo álbum, o cantor confessou em Barcelona, há poucos dias, que "tornou-se realidade um velho sonho".
O enterro de Ibrahim Ferrer será realizado na segunda-feira, porque, como explicaram os familiares, é esperado um dos filhos do cantor que está na Argentina.
O produtor musical cubano, Juan de Marcos Gonzalez, convenceu Ferrer, que tinha deixado a música em 1993, a participar no projecto "Buena Vista Social Club" com um grupo de antigos intérpretes da música tradicional cubana.
Juan Marcos Gonzalez ficou surpreendido com a morte inesperada de Ibrahim Ferrer e diz sentir-se "muito triste", mas ao mesmo tempo "orgulhoso pela sorte" de o ter ajudado e aos restantes membros do grupo a começar uma nova vida.
Ibrahim Ferrer, que conseguiu os maiores êxitos já septuagenário, começou a cantar muito jovem em Santiago de Cuba, e em 1955 teve um êxito com o disco "el Plantanar de Bartolo" com a orquestra mais popular daquela cidade, a Chepín-Chóven.
Dois anos depois mudou-se para Havana onde trabalhou com a orquestra Ritmo Oriental e Benny More.
Juntou-se ao grupo de Pacho Alonso Y Los Bocucos com o qual se manteve até 1991, quando decidiu retirar-se da música, dizendo-se "desencantado".
Regressou com o projecto Buena Vista e foi transformado numa estrela quando um disco do grupo ganhou um prémio Grammy, após o que passou os últimos anos a viajar por todo o mundo com a banda que integra o trompetista Guajiro Mirabal ou o baixista Cachaito.
Nos últimos anos, Ibrahim Ferrer acumulou vários prémios Grammy, vários discos de ouro, ganhou a prestigiada distinção MOBO, no Reino Unido, e foi galardoado com a categoria "Músicas do Mundo na América" para o prémio da BBC Rádio 3, assinalado na Escócia, no ano passado.