Morte de Ilse Losa é "perda para a cultura ", Helder Pacheco
O escritor Hélder Pacheco considerou hoje a morte de Ilse Losa uma "grande perda para a cultura do Porto e para a literatura portuguesa".
Lamentando a morte de "uma nobre senhora" que hoje morreu com 92 anos, o escritor portuense recordou Ilse Losa como uma refugiada judia que encontrou no Porto "um abrigo e uma família".
Hélder Pacheco, que foi vizinho de Ilse Losa, enalteceu a capacidade da escritora em "perceber e se adaptar à cidade", que, aquando da sua chegada a Portugal, vivia "provincianamente no salazarismo, cheio de tristeza".
"Ela mergulhou na cidade, entendeu-a perfeitamente nas virtualidades do seu povo e no seu provincianismo", disse.
Para Hélder Pacheco, Ilse Losa foi uma grande escritora do Porto, que "soube cultivar a língua portuguesa como alguns nativos não souberam".
"Falava com algum sotaque, mas escrevia sem ele", disse, considerando que os seus contos e romances "são escritos em português da mais fina água".
Hélder Pacheco destacou a sua obra "Sob Céus Estranhos", que considera tratar-se de "uma referência sobre o Porto no período da Segunda Guerra Mundial".
Nascida em Março de 1913 na Alemanha, numa família judaica, Ilse Losa acabou por se refugiar em Portugal, onde casou e adquiriu a nacionalidade portuguesa.