"Muçulmanos em Portugal", um ano de trabalho, um livro e muitas vidas

"Muçulmanos em Portugal", um ano de trabalho, um livro e muitas vidas

A ideia de que os muçulmanos são pessoas de "Corão na mão e olhar fanático" é completamente falsa, defende a jornalista Alexandra Prado Coelho no livro "Muçulmanos em Portugal", que será apresentado segunda-feira em Lisboa.

Agência LUSA /

"Onde fica Meca quando se olha de Lisboa? Muçulmanos em Portugal" é o resultado de um ano de convívio com as "muitas comunidades" de muçulmanos em Portugal, que a jornalista do jornal "Público" começou no Ramadão de 2003 e só terminou no mesmo período de 2004.

Acompanhada por Daniel Rocha, repórter fotográfico do mesmo jornal, o resultado foram cerca de 200 páginas e dezenas de fotografias que pretendem fazer o retrato da comunidade muçulmana em Portugal, desde as crianças de segunda geração aos novos imigrantes, começados a chegar ao país na década passada.

Os dois, como contou à Lusa Alexandra Prado Coelho, participaram em festas religiosas, falaram com famílias, estiveram em mesquitas, conheceram muçulmanos que chegaram a Portugal vindos das ex- colónias, após o 25 de Abril, mas também aqueles que vieram do Bangladesh ou do Paquistão sem afinidades culturais e linguísticas.

O papel das mulheres (em número reduzido nas recentes imigrações), as festas, a organização das peregrinações a Meca ou os portugueses que se converteram ao islamismo são temas do livro, de acordo com a autora.

De um ano de trabalho Alexandra Prado Coelho concluiu que a comunidade muçulmana está completamente integrada na sociedade portuguesa, embora com tradições culturais diferentes e muito específicas.

Quanto aos que chegaram a Portugal após o 25 de Abril (indianos que viviam em Moçambique por exemplo) a questão, diz, nem se põe, porque eles sentem-se e são portugueses, assim como os filhos.

Mas, acrescenta, mesmo os imigrantes mais recentes, apesar das dificuldades da língua e das fortes ligações (dos pais) ao país de origem, estão bem integrados e os "filhos já são fãs das telenovelas portuguesas e dos jogadores de futebol portugueses".

Todos no entanto, diz Alexandra Prado Coelho, mencionam o período após o 11 de Setembro de 2001 (atentados de Nova Iorque) como aquele em que "sentiram diferenças nos olhares das pessoas".

Números não oficiais mas consensuais dão conta de 35 a 40 mil muçulmanos em Portugal, que têm uma religião em comum mas "uma imensidão de experiências", diz a jornalista, acrescentando que o olhar que muitas vezes se tem sobre os muçulmanos é redutor.

É por isso que quando se pergunta onde afinal fica Meca quando se olha de Lisboa Alexandra Prado Coelho tem dificuldade em responder.

Meca, vista de Lisboa, diz, é uma variedade imensa, como a comunidade muçulmana, como o Islão.

Se calhar, conclui, Meca vista de Lisboa fica para "muitos lados", quase tantos lados quantos os 40 mil muçulmanos em Portugal.

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