Museu de Arte de Macau expõe desenhos contemporâneos de 11 artistas locais
Macau, China, 26 out (Lusa) - Mais de 50 desenhos produzidos por 11 artistas de Macau, de forma "mais realista ou mais abstrata", estão desde hoje patentes no Museu de Arte local no âmbito da exposição "Nas Comissuras da Memória: Desenhos Contemporâneos de Macau".
Nascido e criado na Região, com formação feita em Lisboa e noutros países da Europa, o arquiteto Carlos Marreiros é um dos participantes na exposição, tendo sublinhado à Agência Lusa "a importância" da divulgação do trabalho dos artistas locais em espaços museológicos.
"Este é o Museu de Arte de Macau e, além de trazer grandes figuras, deve também apostar nos [artistas] locais e trazer à luz talentos e novas ideias. Neste caso não serão propriamente jovens, todos nós já temos uma carreira mais ou menos longa, portanto é uma oportunidade para os locais e visitantes verem alguma produção de Macau e temática", explicou.
Carlos Marreiros, que participa na exposição coletiva com três desenhos de grande dimensão - um que relata o nascimento de Macau desde a Dinastia Ming, no século XVI, até à transferência da administração do território para a China em 1999, e outros dois trechos de um desenho com sete metros inserido na série "O poeta, a cidade e o mar", que trabalha há 20 anos - enalteceu ainda a elevação do "desenho a disciplina própria".
"Antigamente o desenho era um auxiliar da pintura, da escultura, da arquitetura. Acho interessante que se façam exposições temáticas", frisou, ao enumerar os vários registos apresentados, desde os trabalhos "a carvão, tinta-da-china, lápis, pincel em papel tradicional chinês, etc".
A par de nomes consagrados, a exposição "Nas Comissuras da Memória: Desenhos Contemporâneos de Macau" dá a conhecer novos artistas como Frank lei Ioi Fan, que pela primeira vez revela o seu traço ao público da região.
"Sou mais conhecido pelo trabalho de fotógrafo. Este tipo de exposição é importante pela troca de experiências", disse à Lusa.
Com algumas exposições no currículo, mas também uma estreia no Museu de Arte de Macau, Wong Ka Long apresenta na mostra coletiva uma série de trabalhos abstratos inspirados no tema do "caos" do "Oitavo dia", em contraposição ao "sétimo dia, ou dia do descanso".
Entre os expositores está também Ung Vai Meng, que além de artista é presidente do Instituto Cultural de Macau e cujos desenhos de edifícios antigos da Região "transmitem a quietude de Macau antigo".
Igualmente a residir em Macau há vários anos, e um dos fundadores da associação "Art for All", o artista russo Konstantin Bessmertny tem expostos uma série de trabalhos subordinados ao tema dos "sete pecados capitais", representados "de uma forma descontraída e livre".
De referir ainda os trabalhos a tinta-da-china de Lok Tai Tong, as figuras humanas de Wong Cheng Pou, o realismo de Chan Kai Chon, o abstracionismo de André Lui Chak Keong, o tradicional requinte de Lampo Leong e o traço de Christopher (Kit) Helen.
A exposição "Nas Comissuras da Memória: Desenhos Contemporâneos de Macau", está patente até 12 de fevereiro.