Museu Nacional da Imprensa e Campo das Letras lançam livro sobre jornal " Planície"
Porto, 09 Mai (Lusa) - O Museu Nacional da Imprensa (MNI) e a editora Campo das Letras lançaram o livro "A Planície - uma voz na década do silêncio", de Alberto Franco, sobre o jornal cultural A Planície, que adquiriu relevância nacional entre 1952 e 1964.
A Planície foi um jornal cultural que nasceu no Alentejo (em Moura) em 1952 e que depressa se estendeu a todo o país.
A edição inclui uma nota de abertura do director do MNI, Luís Humberto Marcos, na qual este afirma que o livro fala de "um jornal que se impôs ao país, num tempo em que o jornalismo estava vigiado pela máquina censória do Estado".
Para Luís Humberto Marcos, esta obra constitui "um documento de reflexão histórica que, a partir da vida de um jornal, nos ajuda a compreender o funcionamento de um regime que fazia do policiamento das ideias e das opiniões um dos seus modos de sobrevivência".
Apesar da sua breve existência (acabou em 1964), o jornal teve grande importância cultural, quer pelo papel que desempenhou a meio do regime do Estado Novo, quer pelo acolhimento que recebeu dos principais escritores da segunda metade do século XX, tornando-se num dos mais importantes jornais regionais durante a o regime de ditadura de Salazar.
O livro apresenta cartas originais de vários escritores, textos e provas tipográficas com o corte da censura.
Herberto Helder, Vergílio Ferreira, Mário Cesariny, Jorge Sena, Ferreira de Castro, Fernando Namora, Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Lopes Graça, Ramos Rosa e Irene Lisboa, são alguns dos nomes cujas obras integram a edição.
Em 1955, por influência de Afonso Cautela, é enriquecido com o suplemento "Ângulo - Das Artes e das Letras", que se converteu na sua pedra-de-toque.
O jornal abriu-se à criação literária e ao debate cultural, atraindo jovens colaboradores de todo o país.
O seu prestígio captou igualmente a atenção de nomes consagrados, como Irene Lisboa, José Rodrigues Miguéis e Jorge de Sena.
N`A Planície nasceu também o movimento Convívio, defensor dos direitos dos novos escritores.
O periódico era inicialmente fiscalizado pelos serviços regionais da Censura, em Beja, mas, dada a relevância nacional que o jornal adquiriu, a fiscalização censória passou para Lisboa, que aumentou o seu rigor da tesoura.
Este facto, somado a outras dificuldades, ditou o fim do jornal, em 1964.
A Planície teve "a generosidade de defender toda a juventude, acreditando que dela sairiam coisas boas", disse o poeta Casimiro de Brito.
Para o poeta, "o facto dessa geração ter produzido cinco ou seis escritores com mérito é mais que suficiente para justificar o projecto."
O livro, de 213 páginas, foi preparado no âmbito de uma exposição do MNI inaugurada em Abril de 2007, para evocar o jornal aquando do 33º aniversário do "25 de Abril".
A mostra já havia sido apresentada em Moura, em 2002, para celebrar o 50º aniversário d`A Planície.
PF.
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