EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Neto de Alfredo Marceneiro reivindica direitos de autor de "Fado da Saudade", do filme "Fados"

Neto de Alfredo Marceneiro reivindica direitos de autor de "Fado da Saudade", do filme "Fados"

Lisboa, 11 Fev (Lusa) - O investigador e neto do fadista Alfredo Marceneiro, Vítor Duarte Marceneiro, reivindicou hoje para o seu avô a cobrança de direitos de autor do "Fado da Saudade", do filme "Fados", e pôs em causa a distinção do Prémio Goya.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Os direitos de autor deste tema não foram pagos, a ficha técnica do filme e da banda sonora não dizem que o autor é o meu avô", disse hoje Vítor Duarte Marceneiro, herdeiro de Alfredo Marceneiro, à agência Lusa.

Em causa está a canção "Fado da Saudade", que integra o filme "Fados", de Carlos Saura, que tem letra de Fernando Pinto do Amaral e é interpretada por Carlos do Carmo.

Segundo Vítor Marceneiro, o "Fado da Saudade" é um fado menor em versículo, cuja autoria é de Alfredo Marceneiro, data de 1926 e está registado na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

O fado menor em versículo tem como base um fado menor, que tem mais de cem anos e é de autor desconhecido, argumenta o investigador de fado.

"O fado ["Fado da Saudade"] está muito bem cantado no filme, a letra é muito boa, não é isso que está em causa, mas a música não foi composta de propósito para o filme", sublinhou Vítor Marceneiro, que reclama a cobrança de direitos de autor pelo uso da música tanto na banda sonora como no filme.

O neto de Alfredo Marceneiro informou hoje a SPA e a Academia de Cinema de Espanha, que atribui os Goya, sobre essa omissão da autoria da música de "Fado da Saudade".

Com esta acção, Vítor Marceneiro põe também em causa a atribuição do Prémio Goya a este fado como "melhor canção original" do filme "Fados".

Contactado pela agência Lusa, o produtor de "Fados", Ivan Dias, disse que o "Fado da Saudade" "é um fado menor em versículo com arranjos dos músicos que acompanham Carlos do Carmo".

"Para o filme, o Carlos do Carmo deu-lhe a sua própria interpretação", sublinhou o produtor.

O galardão foi atribuído no passado dia 03 em Espanha em Madrid, onde estiveram presentes Carlos do Carmo e Fernando Pinto do Amaral.

"Se este for mais um contributo para o fado, fico feliz, é o que tenho procurado fazer ao longo de 45 anos de carreira", disse Carlos do Carmo à Lusa depois de ter recebido o prémio.

O fadista foi ainda felicitado pelo presidente da República por este prémio, que o considerou uma "honra para a música portuguesa".

"Como português sinto-me envergonhado e com tristeza, porque podemos ser vistos como uns traidores, que enganámos as pessoas", disse o neto de Alfredo Marceneiro.

Contactado pela agência Lusa, Carlos do Carmo remeteu para o fim da tarde da hoje um comentário às declarações do neto de Alfredo Marceneiro.

SS.

Lusa/Fim


PUB