Novo livro de Catalina de Habsburgo pretende mostrar face menos conhecida da Imperatriz Sissi

Novo livro de Catalina de Habsburgo pretende mostrar face menos conhecida da Imperatriz Sissi

Lisboa, 30 Nov (Lusa) - "Mostrar uma face menos conhecida e o meio que rodeava" Sissi, Imperatriz da Áustria-Hungria foi o que procurou fazer Catalina de Habsburgo, arquiduquesa de Áustria, num livro agora publicado.

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"Sissi foi o `petit nom` que o cinema lhe deu. Na família nunca foi tratada assim", disse Catalina de Habsburgo.

Intitulado "Sissi, a atormentada vida da Imperatriz Isabel", o livro procura "mais do que a vida da Imperatriz, mostrar, em tom de novela, o meio e quem a rodeava".

O livro, assegurou, "não é um ensaio, nem um romance histórico. Mas, por opção minha fiz uma novela em que a personagem principal é a Imperatriz Isabel, procurando ir mais além em termos de público, que pode vir a interessar-se por estes temas".

O livro introduz duas personagens ficcionadas, uma condessa húngara e a sua irmã freira.

Catalina de Habsburgo afirmou à Lusa que "de certa forma" se esconde por detrás da condessa, mas os pensamentos da Imperatriz e as suas reacções, que reproduz, partem da análise que fez dos seus diários e das suas cartas, designadamente a correspondência que manteve com Ida von Ferency, uma jovem húngara que lhe ensinou a língua magiar.

Esta Ida inspirou a personagem da condessa que se corresponde com a sua irmã freira, Kevdes Ildiko, contando-lhe factos secretos e privados passados na Corte de Viena e os estados de espírito de Isabel de Habsburgo, filha de Maximiliano, Duque em Baviera.

Um dos traços é a "grande atracção que a Imperatriz tinha por manicómios, casas de loucura, e pretendia até construir um em Viena", disse.

Porém, a imagem da Imperatriz é construída por episódios particulares, "que nem sempre correspondem à sua verdadeira personalidade".

O livro recupera a tese segundo a qual o único filho da Imperatriz, Rudolfo, herdeiro do trono, não se suicidou mas foi, sim, assassinado "por ter sabido demais, e nunca ter querido ir contra o seu pai", o Imperador Francisco José, corria o ano de 1889.

Catalina de Habsburgo refere no seu livro o facto de a sua tia, a arquiduquesa Maria Teresa, ter tocado nas mãos do morto, enluvadas, e reparado que não tinha os dedos da mão direita.

"Tinham-lhe cortado os dedos e insuflaram algodão nas luvas", explicou.

Por outro lado, a autora cita um relatório da autópsia feita à amante de Rudolfo, Maria Vetsera, que estava com ele, datado de 1959, e que revela que foi morta com um objecto contundente e não por um tiro conforme a "tese oficial".

O episódio conhecido como "a tragédia de Mayerling" "é assim contado na família. Aliás o Imperador enviou um telegrama cifrado ao Papa Leão XIII explicando essas razões que permitiam que o Príncipe fosse sepultado catolicamente".

"Estamos na pista dessa telegrama que misteriosamente desapareceu. E também de dois outros que foram enviados ao Príncipe e que igualmente desapareceram", disse a autora, que defende ainda que as cartas encontradas do suicida foram "forjadas".

Outra caso da narrativa familiar que vem a público é o desaparecimento do arquiduque João Salvador, filho de Leopoldo II, grão-duque da Toscânia, e que caiu em desgraça após o episódio de Mayerling.

O nobre da Casa Imperial dispensou as regalias da sua condição e passou a ser conhecido como João Orth, tendo desaparecido em 1890 na América do Sul e sido dado como morto em 1911.

Divido em 12 capítulos, cada um deles referente a uma personagem que se cruzou com Sissi, como Luís II da Baviera ou Maximiliano do México, ou a um cenário, como Possenhofen ou Hungria, "cada um procura evidenciar um traço psicológico de Isabel", indicou a autora.

Catalina Habsburgo é peremptória: "há uma outra Isabel que tinha um verdadeiro sentido de Estado e que não é aquela menina romântica dos filmes da Romy Schneider, e a eterna viajante que se julga".

Para escrever este livro, a autora consultou os arquivos familiares e registou as narrativas familiares para escrever um livro sobre a sua tia-bisavó.

Catalina Habsburgo é neta do imperador Carlos I da Áustria, falecido na Madeira em 1922, beatificado em 2004.

Licenciada em Ciências Políticas pela Universidade de Lovaina, Catalina Habsburgo tem editado em Portugal "Maria Antonieta", também na Esfera dos Livros.


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