"O Codex 632" valorizado pelo recurso a documentos reais
"O Codex 632", o novo romance de José Rodrigues dos Santos, que ficciona em torno da figura de Colombo, tem por base documentos reais, um aspecto enaltecido por João Paulo Oliveira e Costa, especialista em História dos Descobrimentos.
Para romancear em torno de Cristóvão Colombo, cujas identidade e missão continuam a suscitar dúvidas, o jornalista da RTP apoiou-se em documentação genuína, construindo um romance que "tem a seu favor 98 por cento de verdade histórica", sublinhou Oliveira e Costa à Lusa.
Docente na Universidade Nova de Lisboa, o investigador considera que "as lacunas na informação biográfica sobre Colombo abrem as portas à ficção", que pode avançar propostas num terreno onde as conclusões dos biógrafos "não são satisfatórias".
A incógnita acerca da origem do navegador não é, todavia, vista como relevante por Oliveira e Costa, "uma vez que a sua grande viagem até foi uma perturbação na História de Portugal".
O professor da Universidade Nova também exclui a possibilidade de Colombo ter sido "um agente ao serviço do rei", como propõe uma personagem do romance, e aproveita para sublinhar as fronteiras entre a verdade e a ficção, nomeadamente no que se refere ao Codex.
"O documento existe realmente, mas de nada serve os leitores tentarem conferir se as suas páginas escondem os segredos referidos no livro, pois aí domina a ficção", ressalva o investigador, recordado das peregrinações que os leitores de "O Código Da Vinci" fizeram ao Museu do Louvre, em Paris, em busca das pistas do livro de Dan Brown.
João Paulo Oliveira e Costa, que leu o livro antes deste entrar no prelo editorial, opta por destacar a qualidade do romance, "que aproveita habilidosamente os vazios históricos" e apresenta "uma grande correcção" nas referências utilizadas.
A atenção prestada à forma enquanto meio de comunicação foi acentuada à Lusa pelo próprio escritor, que, por ser jornalista, não encara as palavras "como um fim, mas como um meio, um recurso para contar uma história que o leitor deve conseguir compreender".
Mas se o jornalismo pode ser útil à literatura, esta tem as suas vantagens face à profissão, como destacou Rodrigues dos Santos, jornalista desde 1981 e que teve passagem pela BBC e a CNN, onde foi diversas vezes premiado pelas suas reportagens.
"A ficção pode ter efeitos de verdade que não se obtêm com outro tipo de texto", assinalou José Rodrigues dos Santos, lembrando ainda que "a metodologia jornalística impede a revelação de uma verdade sem fonte, o que deixa o jornalista amarrado, enquanto a ficção o liberta dessas cordas".
"O Codex 632" é o terceiro romance de José Rodrigues dos Santos, autor dos ensaios "Comunicação", "Crónicas de Guerra I - Da Crimeia a Dachau", "Crónicas de Guerra II - De Saigão a Bagdade" e "A Verdade da Guerra" e das ficções "A Ilha das Trevas" e "A Filha do Capitão".