"O mandarim" estreia-se sexta-feira em Almada
Lisboa, 04 nov (Lusa) -- A "ironia extraordinária" e o "erotismo velado" de "O mandarim", de Eça de Queirós, dão o mote à peça homónima que se estreia sexta-feira, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, disse à Lusa a encenadora Teresa Gafeira.
"Não há nada de realista nesta peça, é tudo muito ao jeito de Offenbach, compositor de que Eça de Queirós era um admirador confesso", acrescentou Teresa Gafeira.
A encenação deste texto de Eça de Queirós, cuja adaptação para teatro foi feita por Teresa Gafeira e pelo artista plástico Pedro Proença -- que também assina as ilustrações da peça -, decorre do facto de a programação da Companhia de Teatro de Almada incluir uma peça para público mais jovem na programação para esta temporada.
"Sempre gostei muito de encenar para o público mais jovem e, depois de pensar que texto encenar, optei por um que fizesse parte do Plano Nacional de Leitura e foi assim que fui dar a `O mandarim`, do Eça, autor de que gosto muito e que se mantém sempre atual", indicou a atriz.
"O mandarim" conta a história de Teodoro, um funcionário do Ministério do Reino que, com um toque de campainha, mata um Mandarim e herda deste uma avultada fortuna.
A peça vai estar em cena na sala experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite a partir de sexta-feira, dia 07, até 23 de novembro, com espetáculos aos sábados, às 21:30, e aos domingos, às 16:00, estando já esgotadas 11 das quinze sessões.
Interpretada por André Alves, Catarina Campos Costa, Celestino Silva, João Farraia, Maria Frade e Pedro Walter, a peça tem dramaturgia de Teresa Gafeira e Pedro Proença, cenários e figurino de Ana Paula Rocha, projecções de Pedro Proença e luz de José Carlos Nascimento.
Teresa Gafeira integrou o núcleo fundador do Grupo de Teatro de Campolide, no qual se estreou em 1972 e no qual permanece.
Como encenadora, estreou-se em 1992, com "Sopa de Pedras", a partir de textos de Clyesen, Espina e Acuña.
Desde então tem desenvolvido um trabalho continuado na criação, adaptação e encenação de textos para o público infanto-juvenil, entre os quais "Aventuras de Guinhol" (1998), "O barbeiro de Sevilha", "A flauta mágica", "Verdi que te quero Verdi" e "Os gatos".