"O Monstro", pela primeira vez em Portugal no festival de Tondela
O músico camaronês Richard Bona, considerado um dos maiores baixistas do Mundo, vai na próxima semana apresentar-se pela primeira vez em Portugal durante o festival internacional de jazz de Tondela.
Promovido pela Associação Cultural e Recreativa local (ACERT) na sua sede, um espaço conhecido como "Novo Ciclo", o Jazzin` Tondela decorrerá de 04 a 06 de Outubro.
Para encerrar o festival, a ACERT escolheu o artista "a quem, pela sua assombrosa técnica e espantoso talento, se convencionou chamar `o monstro`".
O concerto de Tondela está integrado na digressão mundial de apresentação do seu último álbum, denominado "Tiki", com o qual o músico transporta quem o ouve "aos mais profundos meandros de África, local de mitos e intimidade ancestral".
"Poucos músicos reúnem tanto consenso como este camaronês, cujo talento tem sido reconhecido em actuações com alguns dos mais sonantes nomes da música da actualidade", refere a ACERT.
Segundo a associação, "Bona construiu um percurso musical único": "na fronteira do jazz, criou uma música com impressões digitais que a transformam e que a tornam carismática e inconfundível, temperando-a com um gostinho genuinamente universal".
Bona estará acompanhado em palco pela sua banda "inter-racial", que integra músicos de África, da América e da Europa, com quem cria "um mapa de sonoridades muito características, no qual o público é convidado a participar activamente".
Antes de Bona, caberá à Magic Malik Orchestra (França), ao Sofia Ribeiro e Marc Demuth Duo (Portugal e Luxemburgo) e ao Mário Laginha Trio (Portugal) fazer o jazz soar em Tondela.
Malik, representante de uma geração inovadora do mundo do jazz, e a sua flauta mágica abrirão a quarta edição do Jazzin` Tondela, no dia 04.
Trata-se, segundo a ACERT, de "um flautista que, em todos os territórios artísticos que visita, encara o seu instrumento como um prolongamento natural da sua silhueta", que se faz acompanhar por "uma orquestra de grande qualidade".
"Das pulsações house e dos sons urbanos de St. Germain ao jazz do Groove Gang de Julien Lourau, sem esquecer a incursão pelo pop clássico, Malik sempre imprimiu um sentido claro às suas cumplicidades artísticas, dotando-as de humanidade e elegância", explica.
Igualmente inovador é o projecto da cantora portuguesa Sofia Ribeiro e do contrabaixista luxemburguês Marc Demuth que será apresentado na mesma noite, resultante de uma cumplicidade iniciada em Barcelona, há três anos.
O duo, que tem uma sólida formação de jazz, convida a "uma viagem intimista, onde o pormenor, o humor e o silêncio ganham uma importância acrescida", num "tributo à ousadia criativa no jazz nacional".
Milton Nascimento, Cole Porter, Pixinguinha, Janita Salomé e Carl Perkins são alguns dos compositores escolhidos pelo duo para trabalhar os seus arranjos.
No dia 05, sobem a palco os "construtores de sons" portugueses Mário Laginha (piano), Alexandre Frazão (bateria) e Bernardo Moreira (contrabaixo), com o seu último trabalho, "Espaço".
"Lançado em Junho de 2007 e forte candidato a disco de jazz nacional do ano, eis um encontro raro no qual a arquitectura serviu como pretexto para um grande trabalho de jazz, numa viagem insuflada por uma aguçada curiosidade e uma originalidade inconfundível", considera a ACERT.