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"O ramo de ouro", coleção Nobel e nova chancela Gradiva nos 20 anos da Guerra e Paz

"O ramo de ouro", coleção Nobel e nova chancela Gradiva nos 20 anos da Guerra e Paz

A publicação de "O ramo de ouro", clássico de 1890 que inaugurou a antropologia, uma nova chancela na Gradiva e uma coleção dedicada a prémios Nobel da literatura, são alguns projetos da editora Guerra e Paz, que celebra 20 anos.

Lusa /

Na coleção "Livros que não se rendem", a editora Guerra e Paz vai publicar pela primeira vez em Portugal a trilogia "O ramo de ouro, um estudo sobre magia e religião", estudo comparativo de culturas, escrito por James George Frazer, que influenciou a literatura e o pensamento europeus, revelou hoje o editor Manuel Fonseca.

Os médicos Freud e Jung, os escritores de W.B. Yeats, T.S. Eliot e D.H. Lawrence, ou artistas como a banda rock The Doors e o cineasta Francis Ford Coppola são algumas das personalidades que foram influenciadas pela obra.

Segundo Manuel Fonseca, "O ramo de ouro" inspirou T. S. Eliot para escrever "A terra devastada", e é um dos dois livros que aparecem numa cena do filme "Apocalypse Now".

O outro é o ensaio "Do ritual ao romance", de Jessie L. Weston, também publicado pela Guerra e Paz, assinalou o editor, confessando que se sentiu influenciado pelo filme de Coppola a publicar estas duas obras.

Um dos destaques da editora para assinalar duas décadas de existência é a reedição de "Apocalipse de Albrecht Dürer", de Agustina Bessa-Luís, obra rara que articula texto e imagem a partir das gravuras do pintor renascentista alemão, que privou com o humanista português Damião de Góis.

Publicada há 40 anos, com uma pequena tiragem, esta obra está fora do mercado há mais de duas décadas. Nela se reproduz, a par das xilogravuras originais a preto e branco, uma versão da época, a cores, pintada manualmente, provavelmente sob a supervisão de Dürer, atualmente em exposição no Harvard Art Museum, sublinhou o editor.

A Guerra e Paz fecha assim um circulo aberto há 20 anos quando publicou o seu primeiro livro: "Fama e segredo da História de Portugal", também de Agustina Bessa-Luís.

Na celebração do aniversário, será reeditado o romance de Tolstoi "Guerra e Paz", que inspirou o nome da editora, "na tradução nostálgica de Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões, porque "é bom ler em bom português, traduções por pessoas que escreviam muito bem português, o que não acontece muitas vezes nas traduções fidedignas", considerou o editor, sem desmerecer os "bons tradutores diretos do russo", a quem reconhece a qualidade.

A Guerra e Paz tem ainda como novidades futuras a publicação do livro de mitologia chinesa "Dragão chinês: Uma enciclopédia", o terceiro atlas histórico, este dedicado ao "Portugal revolucionário", uma antologia de poesia chinesa de António Carlos Cortez, e uma parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, intitulada "Rosto distorcido da realidade", que resultará em quatro livros que exploram como a modernidade foi alterada com os avanços tecnológico, financeiro, geopolítico e geoeconómico.

Quanto à Gradiva, cuja gestão foi assumida por Manuel Fonseca em outubro de 2025, por jubilação do editor Guilherme Valente, o grande destaque é a criação de uma nova chancela, cujo perfil ainda não foi divulgado, mas que deverá ser lançada entre setembro e novembro deste ano.

Esta proposta surge porque a Gradiva "precisa de novidades", explicou o editor, acrescentando que continuará a publicar os seus "grandes autores", como José Rodrigues dos Santos e Kazuo Ishiguro, e as coleções de "Ciência aberta" e "Filosofia aberta".

Outra novidade será uma nova coleção só com antigos vencedores do Prémio Nobel da Literatura, que arrancará com dois franceses: "O africano", de J.M.G. Le Clézio, ainda nunca publicado em Portugal, e "O muro", de Jean-Paul Sartre.

"O livro genético dos mortos", de Richard Dawkins, autor de "O gene egoísta", e um livro de divulgação científica de quem a editora comprou os direitos, intitulado "As grandes questões da ciência", do físico italiano Antonino Del Popolo, são outras publicações previstas.

Manuel Fonseca revelou ainda estar a "trabalhar para incluir Robert Trivers, o maior biólogo evolucionista a escrever sobre questões da evolução darwinista".

"Politicamente incorreto", Robert Trivers, que morreu em março deste ano, "ligou-se aos Panteras negras, embora fosse branco", um grupo de defesa da comunidade afro-americana, que começou por defender a resistência armada contra a opressão dos negros.

"Vou trazê-lo [para a editora] de certeza", garantiu Manuel Fonseca, destacando que "ele tem uma tese sobre a questão da evolução, que é a decepção: há uma situação de conflito em que é preciso enganar o outro; mas nós temos a capacidade de perceber que estamos a ser enganados; então, autoenganamo-nos, porque a autoestima é mais importante do que a verdade".

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