Papiro com escritos médicos do tempo dos faraós exposto no Museu do Louvre

Papiro com escritos médicos do tempo dos faraós exposto no Museu do Louvre

Un papiro médico egípcio da época faraónica, considerado um autêntico "manual de medicina" e o segundo do mundo pela sua dimensão e pelos seus textos, será exposto a partir de quarta-feira no Museu do Louvre, em Paris.

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Adquirido pelo Estado francês graças ao mecenato do grupo farmacêutico Ipsen, o papiro é a peça central de uma exposição temporária sobre a arte médica egípcia que poderá ser vista no Louvre entre 06 de Junho e 06 de Agosto, informou hoje o ministério da Cultura francês.

O papiro passará a integrar a colecção de Antiguidades egípcias do museu parisiense.

Classificado como tesouro nacional francês e adquirido por 670.000 euros, o papiro tem oito folhas que constituíam na sua origem um rolo com a extensão estimada de sete metros, o segundo maior do mundo depois do papiro Ebers, de 20 metros, que se conserva na Biblioteca da Universidade de Leipzig (Alemanha).

Actualmente, existem apenas 12 exemplares de escritos médicos do tempo dos faraós.

Segundo o ministério da Cultura, o papiro contém textos "inéditos" e possui a particularidade de estar escrito dos dois lados, de forma contínua e por dois escribas diferentes.

Numa das faces, o primeiro escriba redigiu algumas descrições de enfermidades e dos remédios para as combater, num texto elaborado de forma densa. Crê-se que tenha sido escrito nos reinos de Tutmosis III ou de Amenófis II (1479-1401 a.C.).

No verso, o segundo escriba registou descrições mais amplas de enfermidades, bem como dos seus remédios e da vertente mágica ou divina dos mesmos.

O trabalho do segundo escriba, com caracteres mais amplos e perfis marcados, foi efectuado cerca de 150 anos depois do do primeiro, no princípio da época de Ramsés (1294-1250 a.C.)

Na avaliação do ministério da Cultura francês, esta obra, doze séculos mais antiga do que as escolas de medicina gregas, constitui um documento essencial para a história do saber médico e da farmácia.

O papiro foi comprado no Egipto en 1953 por um particular e, por morte deste, passou para a posse do grupo Ipsen, que o adquiriu num leilão.

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