Philippe Vergne abandona em julho direção do Museu de Serralves

Philippe Vergne abandona em julho direção do Museu de Serralves

O diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Philippe Vergne, terminará o seu mandato, a seu pedido, no final de julho de 2026, anunciou hoje em comunicado a Fundação de Serralves.

Lusa /
Foto: Ayrton [avid.seq] - Unsplash

Philippe Vergne desempenha as funções de diretor do museu desde abril de 2019.

Até sair, assinala o comunicado, Philippe Vergne vai colaborar na "curadoria de algumas exposições, assegurando, assim, a continuidade e qualidade da programação de excelência que marca este ano de 2026".

"A programação para 2027 foi já apresentada ao Conselho de Administração da Fundação de Serralves", lê-se ainda, esperando-se a sua apresentação no final do ano, como é hábito da instituição.

Na nota de imprensa, a fundação expressa o seu "profundo reconhecimento a Philippe Vergne pelo trabalho desenvolvido ao longo destes sete anos, durante os quais trouxe a Serralves artistas e exposições de grande relevo, e que permitiu colocar o museu num patamar internacional ainda mais elevado".

Desejando a Philippe Vergne "todo o sucesso nas suas futuras funções", o conselho de administração informa que o "processo de seleção da nova direção do museu será lançado de imediato".

O curador francês foi nomeado num "processo de seleção internacional, com entrevistas a candidatos de várias partes do mundo", ocupando o lugar assumido anteriormente por João Ribas, em abril de 2019.

Entre as muitas exposições ocorridas desde 2019 em Serralves estiveram, em junho de 2023, as cerca de meia centena de peças do escultor Alexander Calder e do pintor Joan Miró e, um mês antes, "Entelechy", primeira retrospetiva da dupla de artistas porto-riquenhos Allora & Calzadilla em Portugal.

Em outubro de 2022, a carreira da norte-americana Cindy Sherman discorreu ao longo de quase 100 imagens de "Metamorfoses", uma obra inédita da artista, criada para a mostra em Serralves.

No mesmo ano, o museu apresentou exposições de artistas como Rui Chafes, José Leonilson e Rivane Neuenschwander, a aposta na multidisciplinaridade com Ryoji Ikeda e voltou a mostrar as obras de Joan Miró, desta vez em diálogo com artistas vivos.

Em novembro de 2021 foi inaugurada a exposição "Ágora", em que o artista norte-americano Mark Bradford, a sua primeira mostra em Portugal e que girou em torno da sua produção artística dos três anos anteriores, apresentando trabalhos criados durante e imediatamente antes da pandemia de covid-19.

Em dezembro de 2025, a fundação anunciou que a programação anual para 2026 incluiria exposições sobre o arquiteto Frank Gehry e a Coleção Duerckheim, recém-inaugurada.

Em julho de 2025, o Museu de Serralves inaugurou a exposição "Sussurro", que trouxe ao Porto 26 obras do italiano Maurizio Cattelan, entre elas a famosa "Comedian" (2019), a banana colada à parede, evidências de uma preocupação com História, fascismo, religião e morte.

Lourdes Castro, Yoko Ono, Ai Weiwei, Filipa César, Christina Kubisch, Anne Imhof, David Douard, Devendra Banhart e os seus desenhos, Lee Ufan e Jenny Holzer estão entre os artistas expostos em Serralves nos últimos sete anos, período em que o museu expandiu o seu espaço expositivo com a construção da Ala Álvaro Siza, da autoria do arquiteto.

Antes de assumir a direção de Serralves, Philippe Vergne foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, entre 2014 a 2019, e da Dia Art Foundation de Nova Iorque (2008-2014), curador-chefe e diretor adjunto do Walker Art Center, em Minneapolis, diretor da Fundação François Pinault, em Paris, e diretor do Museu de Arte Contemporânea de Marselha.

Em abril de 2019, pouco depois de assumir a direção do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Phillippe Vergne, num encontro com jornalistas, disse que o primeiro desafio de grande parte das instituições culturais é a forma como decidem abordar o "espírito do tempo presente".

Vergne, na altura, elogiou a "coleção fantástica" de Serralves: "Uma coleção muito corajosa, uma coleção de vanguarda", destacando a importância de apostar na "multidisciplinariedade, inclusão e diversidade, fazendo até as mais difíceis ideias acessíveis a um público abrangente".

A equipa de Philippe Vergne, em Serralves, inclui a diretora-adjunta, Marta Almeida, a curadora-chefe, Inês Grosso, o adjunto da direção, Ricardo Nicolau, e o assistente do diretor, Mai-Britt Antas.

Tópicos
PUB