Pombal quer classificação das ruínas romanas da Telhada
A Câmara de Pombal, no distrito de Leiria, quer a classificação como interesse público das ruínas romanas da Telhada, na freguesia de Vermoil, "um importante testemunho da ocupação romana no território".
"O que se pretende é a classificação como interesse público. Vai ser solicitado ao Património Cultural a instrução do procedimento de classificação", disse hoje à agência Lusa o chefe da Unidade de Turismo do município, Nelson Pedrosa.
Segundo informação da autarquia, "o sítio arqueológico da Telhada constitui um importante testemunho da ocupação romana no território da antiga civitas [cidade] de Collipo, apresentando uma cronologia compreendida entre os séculos I e V d.C., podendo corresponder a uma mansio [espaço de repouso] associada à via romana entre Collipo e Conimbriga ou eventualmente a um vicus [aldeia] romano".
"Os trabalhos arqueológicos desenvolvidos no local, desde finais da década de 1990 até às mais recentes intervenções realizadas em 2023, permitiram identificar estruturas de significativa relevância patrimonial, nomeadamente compartimentos pavimentados em opus signinum [argamassa de construções], canalizações, estruturas murárias e abundante espólio arqueológico, incluindo cerâmica comum, terra sigillata [categoria de cerâmica], escórias metalúrgicas e numismas romanos".
O município referiu que estudos e relatórios técnicos produzidos no âmbito das várias campanhas arqueológicas desenvolvidas concluem, expressamente, pelo inegável valor patrimonial do sítio, reconhecendo o seu potencial científico, cultural e turístico para o concelho de Pombal e para a compreensão da ocupação romana na região.
"Considera-se que a classificação permitirá assegurar a salvaguarda, valorização e proteção do sítio arqueológico, bem como o cumprimento dos requisitos associados a eventuais candidaturas".
O presidente da Junta de Freguesia de Vermoil, Daniel Ferreira, disse à Lusa que "o espaço já está identificado há alguns anos e a Junta e a Câmara, em conjunto, querem dinamizar" as ruínas da Telhada.
Daniel Ferreira esclareceu que "foi feita uma limpeza e um tratamento das ruínas há, sensivelmente, dois anos", tendo sido identificado que aquele espaço seria interligado, em parte, com Conímbriga e que seria as zonas de passagem das pessoas que iam de Conímbriga para Olissipo [cidade de Lisboa].
"Isso dá-lhe um caráter de importância na História romana mais ou menos significativo", salientou o autarca, esclarecendo que o objetivo do tratamento e do levantamento mais exaustivo passa, no futuro, pela fruição pública.
De acordo com o presidente da Junta, as ruínas, "para que elas não se danifiquem, estão cobertas".
Nelson Pedrosa declarou que o terreno onde se encontram as ruínas tem cerca de dois mil metros quadrados, propriedade municipal, e disse "existir potencial na zona envolvente".
"Não é um processo terminado, iremos sempre fazer mais sondagens, até porque têm sido descobertos alguns elementos nas proximidades", disse.
O presidente da Junta de Vermoil corroborou este potencial, adiantando que se está a tentar adquirir um dos terrenos confinantes, para se poder "fazer a prospeção para outras áreas", realçando que uma estrada romana "também está identificada", além de "outras presenças romanas" na freguesia.