Portugal proporciona "viagem" única por três séculos de história da química

Portugal proporciona "viagem" única por três séculos de história da química

Lisboa, 17 set (Lusa) - Os laboratórios químicos das universidades de Lisboa, Coimbra e Porto permitem uma viagem por três séculos de história da ciência, numa oportunidade única no mundo, dizem os investigadores.

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"Portugal tem um património raro, a nível da história da química", disse à Lusa a investigadora do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa Marta Lourenço.

Nas poucas centenas de quilómetros que ligam Lisboa ao Porto é possível "fazer uma visita através do tempo pelos laboratórios químicos ao longo dos séculos", afirma a investigadora, que acrescenta: "Não conheço mais nenhum país do mundo onde seja possível".

O mais antigo, o "primeiro laboratório português no âmbito universitário" e "um dos raros laboratórios do século XVIII que se encontra preservado na sua totalidade enquanto edifício", encontra-se em Coimbra, explicou Pedro Casaleiro, responsável da área de coleções e exposições do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

Este espaço, construído nas reformas à universidade promovidas pelo Marquês de Pombal, após o terramoto de 1775, "é único na Europa ocidental do século XVIII".

Na capital, no atual Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, o laboratório químico onde ainda recentemente se davam aulas, remete hoje para um ambiente de 1890, recheado de instrumentos científicos, como uma máquina de fazer gelo centenária.

Construído para acolher a escola politécnica de Lisboa, o local é marcado pelas reformas do liberalismo, numa época em que se considerava que "a ciência e a indústria estavam na base do desenvolvimento do país", segundo Marta Lourenço.

O laboratório mais recente deste conjunto, fundado na Universidade do Porto entre 1912 e 1915 por Ferreira da Silva, um destacado químico, é o ponto de chegada desta "viagem no tempo".

Atualmente, o espaço encontra-se fechado ao público, o que compromete a valorização deste trio de laboratórios enquanto conjunto, mas que não inibe os três museus de ciência que os gerem de trabalharem em conjunto.

Estes espaços, desde sempre ligados à educação, continuam a manter a sua atividade no ensino da química, mas agora destinado a um público mais diversificado, composto principalmente por escolas e famílias.

"Vêm dos mais pequenos aos mais velhos e todos querem experimentar", explica Maria do Carmo Elvas, do serviço educativo do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.

Questionada sobre o porquê de Portugal ser um dos raros países que mantêm este testemunho da história da química, Marisa Monteiro, do Museu de Ciência do Porto, explica: "Os outros, à medida que foram evoluindo, destruíram, enquanto nós não evoluímos tanto, fomos ficando".

 

JH.

 

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