PR lamenta morte de Raúl Hestnes Ferreira e destaca dualidade da sua obra

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte do arquiteto Raúl Hestnes Ferreira, lembrando a sua obra, na qual "convivem a monumentalidade e a intimidade, o classicismo e a modernidade".

"Conhecendo bem o Norte da Europa e os Estados Unidos, a sensibilidade nórdica e a americana deixaram marcas na sua arquitetura (nomeadamente a lição de Alvar Aalto e a de Louis Kanh). No entanto, nunca menorizou uma profunda sensibilidade meridional, atenta à cultura popular portuguesa e ao Sul. Na sua obra convivem a monumentalidade e a intimidade, o classicismo e a modernidade, visíveis em universidades, edifícios de habitação social, residências privadas", lê-se na nota publicada na página da Presidência da República.

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do arquiteto e manifestou o seu pesar à família de Hestnes Ferreira, lembrando ainda o "ambiente culto, politizado, resistente" em que viveu.

O arquiteto Raul Hestnes Ferreira, 86 anos, morreu no domingo à noite, em Lisboa, cidade onde nasceu, em 1931.

O gosto pela arquitetura surgiu-lhe muito cedo devido ao contacto com Francisco Keil do Amaral.

Estudou na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, onde recebeu o diploma de arquiteto, em 1961, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, nos Estados Unidos, na Universidade de Yale e na Universidade de Pensilvânia, depois de ter passado pela escola de Helsínquia, na Finlândia.

Filho do escritor José Gomes Ferreira (1900-1985), Hestnes Ferreira projetou, entre outros, a Biblioteca Municipal de Marvila, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa, a Casa da Cultura de Beja ou a Casa de Albarraque, que desenhou para o pai, em Cascais.

Fez a remodelação e valorização do Museu de Évora e a recuperação do Café Martinho da Arcada (Lisboa) e esteve entre os finalistas a concurso para a Ópera da Bastilha, em Paris.

Entre os projetos habitacionais, conta-se o do bairro das Fonsecas e Calçada, em Alvalade, em Lisboa, das cooperativas Unidade do Povo e 25 de Abril, que remonta a 1975.

Recebeu o Prémio Nacional de Arquitectura e Urbanismo, da secção portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte, o Prémio Nacional de Arquitetura da antiga associação de arquitetos (anterior à Ordem) e o Prémio Valmor.

Tópicos:

Arcada, Arquitectura, Bastilha, Belas, Fonsecas Calçada, Helsínquia, ISCTE, Keil, Raul Hestnes, Raúl Hestnes,

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