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Proibição de livros de BD está a aumentar nos EUA: "Temos de lutar contra isto"

Proibição de livros de BD está a aumentar nos EUA: "Temos de lutar contra isto"

A proibição de livros de banda desenhada em escolas e bibliotecas dos Estados Unidos está a aumentar e a situação pode piorar, disse o responsável do Comic Book Defense Fund, Jeff Trexler, durante a conferência WonderCon 2026. 

Lusa /
Foto: Miika Laaksonen - Unsplash

"Os direitos estão a ser atacados e já não podemos contar com os tribunais", afirmou o advogado, em resposta a uma questão da Lusa sobre a lista negra dos livros de BD. 

Trexler frisou que foram banidos centenas de livros de banda desenhada e que uma decisão do Tribunal de Recurso do 5º Circuito, referente ao Texas, Mississípi e Luisiana, determinou que as bibliotecas não gozam das proteções da Primeira Emenda (referente à liberdade de opinião e expressão). 

"Temos de lutar contra isto", continuou o advogado. "Isto tem de chegar ao Tribunal Supremo. Enfrentamos grandes perdas se não lutarmos". 

No último ano letivo, 601 livros de banda desenhada foram colocados na lista negra de restrições ou proibições em escolas e bibliotecas, representando cerca de 9% do total de 6.719 livros proibidos ou restringidos. Foi um aumento relativamente ao ano anterior, em que os livros de BD tinham representado 6% das proibições, segundo a PEN America.

Entre os títulos proibidos ou restringidos estão "Maus", "Batman: The Killing Joke", "Dragon Ball" e "Watchmen". As proibições variam de estado para estado e nalguns casos são específicas de um sistema escolar ou bibliotecas locais. 

A situação pode piorar, considerou Trexler, se for aprovada a proposta de lei HR 7661, apresentada na Câmara dos Representantes este mês e que pretende banir livros que tenham qualquer referência a disforia de género ou pessoas trans, ainda que subtil. 

A autora Amy Chu, que escreve livros de BD para a Marvel, DC e outras, disse que uma lei deste género vai afetar o trabalho de autores e editores. 

"Acho que algumas pessoas vão recuar", afirmou Chu, cujos livros mais vendidos são sobre a vampira lésbica Carmilla. 

Moni Barrette, que foi bibliotecária durante 16 anos, falou do aumento das proibições e notou que o limiar é mais baixo para a sexualidade que para a violência. "Se duas pessoas se amam é que temos um problema". 

Os livros de banda desenhada foram historicamente considerados problemáticos, mas as proibições aumentaram desde 2021, visando sobretudo livros com personagens LGBTQ+, profanidade e questões raciais. 

Alguns destes temas são os motivos que tornaram vários tipos de livros de BD populares, como frisou a atriz de dobragens Cailtin Glass, num painel sobre diversidade que decorreu na conferência. "O Anime tem ressoado tanto por causa da variedade de histórias que são contadas", exemplificou. 

Foi também isso que sublinhou Aaron Butler, editor da série HBO "Euphoria". "É muito bom para a criatividade ter diversidade de todos os tipos". 

As discussões decorreram na 38.ª edição da WonderCon, que termina hoje em Anaheim. A conferência anual de banda desenhada, ficção científica e cinema é organizada pela Comic-Con International e este ano teve 900 expositores e mais de 60.000 participantes. 

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