Projeto Instituto de artes e arquitetura retoma a Quinzena e mostra projetos internacionais

Projeto Instituto de artes e arquitetura retoma a Quinzena e mostra projetos internacionais

O projeto Instituto, no Porto, ligado à arquitetura e artes visuais, entra em 2021 no terceiro ano de funcionamento com o regresso do "mini festival" Quinzena e várias parcerias e trabalhos internacionais, na programação.

Lusa /

De 20 de janeiro a 07 de fevereiro, decorre a terceira edição da Quinzena, com "conversas em torno da arquitetura, cultura urbana e práticas espaciais", numa celebração do "próprio aniversário do edifício", que remonta aos anos 1950.

O antigo armazém, reabilitado pelo arquiteto Paulo Moreira, entre 2017 e 2018, agora com nova vida, vai para o terceiro ano e continuará, em 2021, a refletir "sobre a cidade" e a envolver-se na discussão sobre temas de arquitetura e urbanismo, no Porto, disse à Lusa o também diretor artístico do projeto.

O ano de 2020, esse, foi "desafiante", com a pandemia da covid-19, ainda que no Instituto não tenham sentido "uma quebra" muito grande, por se tratar de um projeto com "eventos pequenos".

O confinamento ditou o encerramento do espaço, altura em que se realizaram várias conversas `online` sobre arquitetura e cidade, a que se seguiu uma reabertura, no verão.

O ano de 2020 teve como temas principais "a questão dos corpos", e como "a sociedade representa, ou não representa, as minorias étnicas na esfera pública", o conceito de "fragmentos", partindo "do particular para o geral" nas expressões de cidade e território, e os "lugares".

Entre os destaques, nota para um ciclo com a Associação Amigos da Praça do Anjo, que reflete "sobre a estatuária pública no Porto", um tema que apareceu, também, no "mapeamento do racismo na cidade", pelo coletivo Interstruct Collective, debruçando-se sobre "a toponímia, mas também lojas e espaços comerciais, ainda com sinalética colonial", entre outros eventos.

O ano terminou com a abertura de uma exposição do angolano Kiluanji Kia Henda, "Red Light Square - History is a Bitch project: Kinaxixi", sobre o Largo do Kinaxixi, em Luanda.

Para este ano, e como a programação nasce "de uma interseção dos interesses" da equipa do espaço, bem como de parcerias e de "programação espontânea" que vai surgindo, o primeiro trimestre é o mais definido.

Um dos projetos que marcará os próximos 12 meses chama-se "Desmontando Manifestações Coloniais", uma parceria com o Interstruct Collective e a Rampa, com uma candidatura bem sucedida à iniciativa VAHA, "uma rede de diálogo com organizações culturais da Turquia e outros países europeus, que visa sensibilizar a sociedade civil".

Com 50 entidades abrangidas, Portugal está representado por este projeto, que se foca "na questão dos vestígios do passado colonial na cidade do Porto, ainda muito presentes, de monumentos a sinalética, manuais escolares e cultura popular, de contos infantis e anedotas a expressões do dia-a-dia".

No segundo trimestre, o Instituto funcionará, no Porto, como "um satélite" do Arquiteturas Film Festival, em Lisboa, com Angola como país convidado e, na vertente "mais educativa" do projeto, haverá duas oficinas com candidaturas contempladas pelos apoios simplificados da Direção-Geral das Artes, ambas no verão.

"Um dos `workshops` chama-se `Desfazer Cidade`, e é sobre a ideia da prática de subtração como meio de intervir na cidade. Vamos questionar a existência do viaduto de Gonçalo Cristóvão, no Porto", descreveu Paulo Moreira, à Lusa.

Depois de o arquiteto descobrir que a construção desabou em 1962, quando ainda estava a ser erigida, começou a refletir sobre como "no século XX as cidades eram desenhadas para os automóveis", considerando que uma tipologia como a daquele viaduto, que "não é urbana", "separa mais do que liga".

Dessa oficina resultará uma exposição, programada para novembro e dezembro na Galeria Nuno Centeno, em que se "apresenta à cidade os resultados" e as propostas para aquele espaço, da retirada à substituição ou transformação.

A segunda oficina trata o tema de "Bairros Críticos" e debruça-se sobre o bairro do Leal, o `Iraque`, como também é conhecido na cidade, uma "zona muito precária e esquecida, no miolo de um quarteirão", com visitas guiadas, conversas e aulas sobre o tema.

Entre 2021 e 2022, ainda sem data definida, a curadora da Bienal de Istambul deste ano, Mariana Pestana, trará ao espaço do Instituto, e a Portugal, a mostra "Critical Cooking Show", uma colaboração entre a e-flux Architecture e a bienal, no contexto da sua quinta edição, "Empathy Revisited: Designs for more than one".

SIF // MAG

 

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