Reconstituição virtual do Arquivo do Ministério do Ultramar "segue a bom ritmo" e estará terminada em 2009
A reconstituição virtual do Arquivo do Ministério do Ultramar (MU), extinto em 1974, foi iniciada em finais de Janeiro e "segue a bom ritmo", disse à Lusa o coordenador executivo do projecto José Maria Salgado.
Os documentos pertencentes ao extinto Ministério serão inventariados, passando a sua descrição arquivística a estar disponível a quem a quiser consultar através da Internet.
A documentação dispersa por diversos organismos do Estado mantém-se à guarda destes. Parte dos documentos não era do conhecimento público porque se encontrava em instituições que não tinham os seus arquivos tratados e abertos ao público.
Após a extinção do Ministério, os seus documentos foram distribuídos, conforme a temática, por diversos departamentos governamentais, nomeadamente o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e o Arquivo Histórico Diplomático (AHD), pertencentes ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), as Direcções-gerais do Tesouro (DGT) e da Administração Pública (DGAP), pertencentes ao Ministério das Finanças (MF), e o Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), sob tutela do Ministério da Ciência e Ensino Superior.
Relativamente aos dois corpos documentais à guarda do MNE "estão já tratados, constituindo cerca de 40.000 registos", assinalou José Maria Salgado.
"Refira-se, esclareceu, que os 40.000 registos correspondem às unidades de instalação e não aos documentos".
O mesmo responsável explicou que "cada registo é uma unidade de instalação, ou uma pasta (...) onde se arrumam vários documentos sob um mesmo assunto. Logo, cada pasta tem um número variável de documentos".
Os documentos até agora inventariados dizem respeito essencialmente a duas áreas distintas: negócios políticos e infra-estruturas.
Os documentos do extinto Gabinete dos Negócios Políticos do MU estão actualmente à guarda do AHD, e dizem respeito a "questões políticas".
Por exemplo, "encontram-se relatórios e outros papéis de observação sobre a guerra colonial", indicou.
No IPAD "encontramos sobretudo documentos relativos a obras públicas como a construção de portos, estradas, barragens, caminhos-de-ferro, exploração de diamantes e as primeiras pesquisas petrolíferas".
"Esta parte está concluída em termos de levantamento - adiantou José Maria Salgado -, tendo-se já iniciado os trabalhos de recolha da documentação das antigas Direcção-Geral do Tesouro e Agência Geral do Ultramar, actualmente à guarda do MF".
Quanto ao AHU ultima-se o protocolo com a Fundação Calouste Guklbenkian (FCG), que assumiu este projecto de inventariação documental.
A FCG assinou já protocolos com o MNE e o MF com vista a inventariar toda a documentação do extinto MU, relativa ao período de 1930 a 1975, com o objectivo de se constituir um Arquivo virtual do Ministério do Ultramar que deverá ser disponibilizado na Internet.
A coordenação científica deste projecto é do historiador José Mattoso, tendo o trabalho no terreno sido entregue pela FCG a um empresa especializada, a Bsafe.
José Maria Salgado assegura, em nome da Bsafe, a coordenação executiva, prevendo que, "estando reunidas todas as condições, o projecto estará concluído em 2009".