Recordações do festival BD da Amadora

Recordações do festival BD da Amadora

Desenho artístico personalizado, um pedaço de banda desenhada para mais tarde recordar, o autógrafo é um dos momentos mais cobiçados e concorridos do Festival Internacional de BD da Amadora (FIBDA), que decorre até dia 05.

Agência LUSA /

Rui Domingues não perde uma edição do FIBDA há treze anos e desde então tem coleccionado autógrafos de muitos dos autores e ilustradores que têm passado pela Amadora.

Bedéfilo, de 40 anos, Rui Domingues explicou à agência Lusa que não é o autógrafo em si que lhe interessa, mas "o desenho personalizado que o artista faz".

"É uma oportunidade de ver naqueles minutos como é que o desenho é feito", referiu Rui Domingues, apaixonado desde a infância pela banda desenhada, sobretudo a de traço franco-belga, que o faz ter perto de dois mil títulos.

Todos os anos, a organização do FIBDA convida vários autores de banda desenhada portugueses e estrangeiros para sessões de autógrafos, que permitem um maior contacto entre artistas e público.

Munidos de várias canetas, aguarelas ou lápis de cor, alguns deles passam horas a desenhar personagens do seu universo artístico, nas primeiras páginas em branco das suas obras ou em resmas de papel que têm sempre à mão.

José Carlos Fernandes, um dos mais produtivos autores portugueses da nona arte, é uma das presenças constantes no festival.

"Ao início custou-me dar autógrafos, porque tenho por hábito desenhar sozinho em casa, mas tive de superar esse problema e tirar prazer disso", afirmou à agência Lusa o autor da série "A pior banda do mundo".

"O que impus a mim próprio foi desenhar sempre coisas diferentes. É mais arriscado, mas não me aborreço", sublinhou José Carlos Fernandes, que acaba de ver editado o primeiro volume de uma nova série, intitulada "Black box stories".

Entre os pedidos mais estranhos que lhe fizeram, e que recusou, foi em Espanha, quando um admirador lhe pediu que desenhasse o vilão Darth Vader, uma das personagens da "Guerra das Estrelas".

Se José Carlos Fernandes tem por hábito desenhar com aguarela algumas das suas mais conhecidas personagens, há outros como o francês Frank Giroud que, munido de uma caneta preta, desenhou os retratos de quem pedia um autógrafo.

Já o brasileiro Maurício de Souza, criador da famosa "Turma da Mónica", deu origem no último fim-de-semana às filas mais concorridas, distribuindo autógrafos a dezenas de pequenos e graúdos.

O autor, que em entrevista, hoje, ao Jornal de Notícias, revelou a intenção de criar uma personagem portuguesa - o António Alfacinha - desdobrou-se na recriação, na Amadora, de réplicas de Mónica e Cebolinha.

Para Rui Cartaxo, de 50 anos, visitante do FIBDA desde 1993, estes autógrafos são "uma recordação pessoal dos autores que embeleza sempre uma edição".

Este apreciador de BD diz-se bedéfilo, com uma colecção de "alguns milhares de livros", mas não partilha do espírito de coleccionador.

Enquanto esperava por um autógrafo de Miguel Rocha e João Paulo Cotrim, autores do livro "Salazar, na hora da sua morte", Rui Cartaxo contou à Lusa ter sido em Bruxelas que adquiriu o hábito de pedir assinaturas personalizadas.

"Para mim foi uma novidade absoluta", recorda Cartaxo, referindo que foi há 14 anos que pediu pela primeira vez um autógrafo ao belga François Schuiten, autor da série "As Cidades Obscuras".

Carregado de alguns volumes de BD ainda por autografar, António Isidro, de 41 anos, admitiu à Lusa ser até capaz de sair de Portugal para conseguir um autógrafo.

Além de ter livros assinados, este bedéfilo possui ainda um caderno de folhas brancas repleto de desenhos originais de autores de BD.

"Durante anos coleccionei autógrafos nos álbuns, mas acabei por comprar um `sketchbook` para ter desenhos de autores que não estão editados em Portugal", explicou António Isidro.

O melhor de tudo, observou ainda, "é ter um bocadinho da obra dos autores só para nós".

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