Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde
A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL abriu candidaturas para o FilmLab Cabo Verde, uma ação de formação sobre financiamento, produção, apresentação e distribuição de projetos audiovisuais, a decorrer em outubro, na cidade da Praia, anunciou hoje a organização.
"O nosso objetivo é preparar jovens cineastas cabo-verdianos e da região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste para terem ferramentas para elaborar planos financeiros e de distribuição, apresentar ideias de filmes e aceder a técnicas de produção sustentáveis e inclusivas", afirmou a cineasta Samira Vera-Cruz, no lançamento das candidaturas.
O FilmLab Cabo Verde decorrerá presencialmente entre 06 e 16 de outubro, com sessões de acompanhamento `online` após a residência, e vai selecionar até seis candidaturas, segundo o regulamento do programa.
As candidaturas estão abertas até 22 de julho a realizadores dos PALOP e de Timor-Leste, preferencialmente entre os 18 e os 35 anos, podendo ser admitidos candidatos fora desta faixa etária em função da qualidade dos projetos.
São elegíveis projetos de curta-metragem de ficção, não ficção ou híbridos, com duração prevista entre 10 e 30 minutos e em qualquer fase de desenvolvimento, pré-produção, produção, pós-produção ou distribuição.
O regulamento indica que serão valorizadas propostas sobre direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais relevantes, bem como candidaturas de mulheres e pessoas não binárias.
"Acreditamos que a formação de novos talentos é essencial para a evolução do cinema e audiovisual. Assim surgem os `labs` de cinema, que vão começar em Moçambique, em agosto, em parceria com o Kugoma, e em outubro, em Cabo Verde, com o Festival Internacional de Cinema Africano Kafuka", afirmou Samira Vera-Cruz.
Segundo a cineasta, "há muitos projetos interessantes que acabam por ficar na gaveta por falta de orientação sobre onde os submeter".
"Há a ideia de que o financiamento vem de uma única entidade, quando existem várias formas de o procurar, públicas e privadas. A nossa ideia é desconstruir o plano financeiro e perceber onde ir buscar o dinheiro", acrescentou.
Sobre a distribuição, Samira Vera-Cruz defendeu que muitos projetos não chegam ao público por falta de estratégia.
"Será que é para televisão, cinema, festivais, plataformas ou redes sociais? São decisões que devem ser tomadas desde o início do projeto", referiu.
A produtora da rede Emilia Wojciechowska destacou a intenção de reforçar a participação feminina.
"Queremos incentivar mulheres a participarem. Vamos aceitar todos os géneros, mas queremos, pelo menos, um equilíbrio de 50%", afirmou.
A organização assegura alojamento, almoço e um subsídio diário de 15 euros durante a residência, ficando as despesas de deslocação para a Praia a cargo dos participantes.
A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL é uma iniciativa da Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, em parceria com entidades de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, e conta com financiamento da Cooperação Portuguesa, através do Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social (PROCERIS).