Ryan Coogler inspirou-se nas histórias reais do tio para escrever "Pecadores"
Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por "Pecadores", inspirou-se nas histórias reais do seu tio James para escrever o filme, que cruza vários géneros numa alegoria do racismo e Ku Klux Klan no Mississípi.
"Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música `blues` para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso", afirmou o realizador nos bastidores dos Prémios da Academia, que foram entregues na noite de domingo em Los Angeles.
"Ele era o mais próximo que tive de um avô", contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje.
Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de "Pecadores", que cativou uma grande audiência em todo o mundo. "Estou incrivelmente grato pela interação do público com a história na sala de cinema", afirmou.
"Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa", continuou.
"Pecadores" bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Ator. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento.
"Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike", contou o realizador.
Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos.
"Ela leu uma coisa que escrevi e disse, `acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos`", contou.
"Pecadores" saiu da 98.ª edição dos Óscares com quatro estatuetas, mas perdeu a coroação como Melhor Filme para "Batalha Atrás de Batalha", de Paul Thomas Anderson.