Salvador Sobral edita em outubro novo álbum com temas de autores brasileiros

Salvador Sobral edita em outubro novo álbum com temas de autores brasileiros

O músico Salvador Sobral edita em outubro um novo álbum, "A flor do recomeço", feito de temas inéditos da autoria de músicos brasileiros como Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Marcelo Camelo, Marcos Valle e Tim Bernardes, foi hoje anunciado.

Lusa /
RTP

O álbum, o primeiro de Salvador Sobral com "composições exclusivamente brasileiras, foi gravado em São Paulo e produzido pelos brasileiros Marcus Preto e Tó Brandileone, de acordo com a editora Warner Music Portugal, num comunicado hoje divulgado.

"A flor do recomeço", que é também o nome do primeiro `single`, disponível a partir de hoje, tem data de edição prevista para 16 de outubro.

O novo álbum de Salvador Sobral inclui "uma seleção estelar de canções inéditas, compostas por reconhecidos artistas como Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Chico César, Céu, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Marcos Valle e Tim Bernardes".

Além disso, o novo trabalho foi gravado com uma banda de músicos brasileiros: Tiago Costa (piano), Fábio Sá (contrabaixo), Conrado Goys (guitarra), Sergio Machado (bateria) e Felipe Roseno (percussão).

"A ideia não era fazer um `disco brasileiro`, mas um disco de compositores brasileiros interpretados por músicos brasileiros e cantados por um artista português. Caso contrário, poderíamos cair na armadilha de soar como uma caricatura da música brasileira com um sotaque estranho", referiu Salvador Sobral, citado no comunicado.

O músico, que está "absolutamente convencido de que a música nasceu no Brasil", partilhou que cresceu a ouvir Maria Bethânia no carro da mãe e Chico César no carro do pai.

Salvador Sobral contou ainda que o novo álbum "surge da necessidade de ir à origem suprema para aprofundar e descobrir os sons intemporais deste outro lado do Atlântico".

"Flor do recomeço" será apresentado ao vivo numa digressão internacional que inclui datas em Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Inglaterra, Polónia e Brasil.

Na parte europeia da digressão, Salvador Sobral será acompanhado por uma banda composta por Katerina L`Dokova (piano), André Rosinha (contrabaixo), Eva Fernández (saxofone), Joel Silva (bateria e percussão) e Sebastiá Gris (guitarras).

Nascido em Lisboa em 1989, Salvador Sobral editou o álbum de estreia, "Excuse me", em 2016. Em nome próprio, editou também os álbuns "Paris, Lisboa" (2019), "BPM" (2021) e Timbre (2023), e o EP "Sal" (2022), aos quais junta projetos em que participou com outros músicos, nomeadamente Alexander Search, Alma Nuestra, Noko Woi, que divide com Leonardo Aldrey, Sílvia Pérez Cruz e First Breath After Coma.

Em fevereiro deste ano, Salvador Sobral retirou todos os álbuns da plataforma de `streaming` Spotify - "a que paga pior aos autores" e promove música criada por IA - consciente de que a decisão pode ser prejudicial para a sua carreira.

Pedir à plataforma que retirasse os álbuns que gravou em nome próprio "foi fácil" no caso de "Excuse Me", o primeiro que editou, por ser o dono do `master`, contou à Lusa em fevereiro.

Já retirar os outros, editados no âmbito de um contrato de licenciamento com uma editora discográfica, acabou por dar mais trabalho, mas desde a semana passada que quem quiser ouvir álbuns do músico português terá de recorrer a outras plataformas.

Além dos álbuns que editou a solo, Salvador Sobral tem também colaborações com outros artistas, que continuam disponíveis no Spotify, mas conseguiu que a irmã, Luísa Sobral, retirasse "Amar pelos dois", tema com o qual Portugal venceu o Festival Eurovisão da Canção em 2017.

"Ainda há várias versões disponíveis, mas não a versão `single`. Gostava que não houvesse nenhuma, mas não posso controlar os outros contratos e as colaborações que fiz. Não posso obrigar as pessoas a tirar a música", contou.

Quem quiser ouvir `online` as criações de Salvador Sobral a solo pode recorrer a outros serviços de `streaming`, nomeadamente a Qobuz, "a única plataforma ética e justa" que o músico encontrou.

"É aí que está a minha música. Também está na Apple Music, no Youtube, plataformas que não são isentas de culpabilidade, mas tantas coisas ao mesmo tempo, todos estes fatores, não há outra que os reúna todos. E o Spotify é o que pior paga", referiu.

Para Salvador Sobral aquela plataforma é "o primeiro inimigo a abater" e para isso, "gostava que mais gente se juntasse ao boicote".

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