Teatro do Oprimido moçambicano presta apoio psicossocial em Cabo Delgado há 25 anos

Teatro do Oprimido moçambicano presta apoio psicossocial em Cabo Delgado há 25 anos

O Teatro do Oprimido moçambicano assinalou hoje 25 anos de atividade, destacando o trabalho de reabilitação psicossocial em comunidades afetadas pelo terrorismo em Cabo Delgado e a utilização do método em prisões e outros programas comunitários.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O destaque foi feito pelo coordenador geral e fundador do Centro do Teatro do Oprimido de Maputo (CTO-Maputo), Alvim Cossa, à margem do Colóquio Internacional "Teatro como Arte Marcial", organizado para assinalar os 25 anos da introdução deste método em Moçambique e refletir sobre o seu impacto social no país.

"O teatro do oprimido está a ser usado nas prisões, está a ser usado por comunidades vulneráveis, está a ser usado na reabilitação psicossocial (...) Deixou de ser apenas arte para ser uma forma de ser e de estar das comunidades", afirmou Alvim Cossa.

Segundo o responsável, o colóquio pretende promover uma avaliação externa do percurso do movimento, reunindo académicos, artistas e parceiros para analisar os resultados alcançados e discutir o contributo das artes na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

"O objetivo principal do colóquio é trazer outros olhos e outras maneiras de pensar no nosso trabalho para ouvirmos daqueles com quem trabalhamos, daqueles para quem trabalhamos e daqueles que temos estado a partilhar várias experiências de luta, de resistência, de resiliência, o que é que está a valer o nosso trabalho", afirmou.

Alvim Cossa explicou que as comemorações dos 25 anos começaram em janeiro, com oficinas, apresentações e outras atividades realizadas em várias províncias, incluindo nos distritos de Mecula, Memba e Metuge, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, envolvendo grupos locais e comunidades onde o Teatro do Oprimido desenvolve projetos.

O coordenador apresentou igualmente o livro "Teatro do Oprimido em Democracia, Transparência, Participação e Tributação", descrito como um manual destinado a apoiar comunidades e organizações na utilização do método para promover cidadania, participação e debate sobre políticas públicas.

"O livro é uma ferramenta que está a ser disponibilizada para que, onde quer que a pessoa esteja, possa fazer teatro do oprimido, possa discutir e viver", declarou.

Sobre o tema do colóquio, Alvim Cossa explicou que a expressão "Teatro como Arte Marcial" procura destacar o teatro como espaço de diálogo e respeito mútuo, defendendo que as artes podem contribuir para fortalecer a convivência e a aprendizagem coletiva.

"A arte marcial é sempre associada à luta, (...) mas é também um momento de respeito mútuo", afirmou, acrescentando que o teatro è "espaço de partilhar experiências e de partilhar vida".

Rica em gás, a província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Criado pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal na década de 1970, introduzido em Moçambique em 2001 e constituído oficialmente por escritura pública a 16 de julho de 2003, o Teatro do Oprimido utiliza o teatro como instrumento de participação cidadã e transformação social, envolvendo comunidades na procura de soluções para problemas locais e em processos de educação comunitária, reconciliação e inclusão social.

 

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