Teatro Nacional de São Carlos é o "artista principal" do Festival de Ópera de Saaremaa 2027
O Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) é o "artista principal" convidado, no próximo ano, do Festival de Ópera de Saaremaa, na Estónia, de acordo com a programação anunciada pelo festival.
Numa edição em que Portugal está em foco através do TNSC e das suas formações residentes, o Coro e a Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP), o teatro lírico português vai apresentar no festival estoniano, de 20 a 25 de julho de 2027, quatro óperas e dois espetáculos, segundo a programação avançada pelo TNSC à agência Lusa.
"Fidelio", de Beethoven, "Un ballo in maschera", de Verdi, "Carmen", de Georges Bizet, uma Gala de Ópera, com Rafaela Albuquerque, Cátia Moreso, Marco Alves dos Santos e Luís Rodrigues, como solistas, e uma "Noite de Fado", com Ricardo Ribeiro e Cristina Branco, compõem a programação especial dedicada a Portugal e ao TNSC, que encerra com a ópera "O Rouxinol", de Sérgio Azevedo.
Sobre esta participação de dimensão inédita num festival internacional, na história do TNSC, o seu diretor artístico, o compositor e maestro Pedro Amaral, citado pela programação do teatro, afirma: "Fazemo-lo conscientes de que, como Voltaire ironicamente nos recordou na sequência do Terramoto de Lisboa, não vivemos no melhor dos mundos possíveis. Mas podemos sempre esforçar-nos por torná-lo melhor --- mais belo, mais humano e mais habitável --- através da música, através da arte e, em particular, através da ópera".
A ópera "O Rouxinol", concebida para um público doa 7 aos 77 anos, como o compositor Sérgio Azevedo disse à agência Lusa, nas vésperas da estreia, em janeiro de 2023, no TNSC, é encenada por Mário João Alves e tem direção musical do maestro João Paulo Santos.
Baseada no conto "O Rouxinol e o Imperador", de Hans Christian Andersen, a ópera conta no elenco com a soprano Ana Sofia Ventura e os barítonos Christian Luján e Diogo Oliveira. Inclui ainda dois figurantes e "um pequeno coro", acompanhados de uma orquestra sinfónica clássica.
Na Estónia vai ser apresentada no dia 25 de julho de 2027, encerrando a participação portuguesa.
As outras três produções líricas a ser apresentadas "são obras incontornáveis do repertório internacional, representando as tradições operáticas germânica, italiana e francesa", refere o TNSC, na apresentação desta programação.
A ópera "Fidelio", de Ludwig van Beethoven, numa nova produção do TNSC, assinada pelo encenador Jean-Romain Vesperini, dá início à presença portuguesa em Saaremaa, no dia 20 de julho do próximo ano.
A nova encenação coincide com o bicentenário da morte do mestre alemão, em março de 2027.
No dia seguinte, 21 de julho, sobe a cena "Un ballo in maschera" ("Baile de Máscaras"), com encenação de Stefano Vizioli, "uma das óperas mais refinadas e magistralmente construídas de Giuseppe Verdi", realça o TNSC.
No dia 22, realiza-se o espetáculo "Noite de Fado -- Uma noite em Lisboa", com os fadistas Ricardo Ribeiro e Cristina Branco, acompanhados pela OSP, com arranjos de Filipe Raposo e Daniel Bernardes, sob a direção do maestro Pedro Neves.
A ópera de tradição francesa, "Carmen", de Georges Bizet, uma produção do São Carlos dirigida por Francisco López, subirá à cena no dia 23.
No dia seguinte, uma Gala de Ópera, com a soprano Rafaela Albuquerque, a meio-soprano Cátia Moreso, o tenor Marco Alves dos Santos, o barítono Luís Rodrigues e o Coro do TNSC, dão "voz a algumas das páginas mais célebres do repertório operático".
Na `site` do festival estoniano, onde o TNSC assume desde já o protagonismo, é feita uma breve história do teatro lírico português, desde a sua inauguração em 1793, definindo-o como "força motriz da atividade operática" portuguesa, com as temporadas regulares que abrangem "grandes produções de ópera, concertos corais-sinfónicos, concertos sinfónicos e apresentações de música de câmara".
Para o festival estoniano, a "excelência artística" do TNSC "radica no trabalho dos seus dois grupos residentes, o Coro da Ópera de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa", que garantem "a qualidade e a continuidade da programação".
"Combinando mais de 230 anos de tradição com uma visão contemporânea e dinâmica, o São Carlos oferece espetáculos de classe mundial tanto para os amantes de ópera mais experientes como para novos públicos", conclui o festival de Saaremaa.
A história do festival estoniano remonta a 1999, constituindo o mais antigo dedicado à ópera, no país, tendo ao longo dos anos firmado a sua posição no circuito internacional da produção lírica. Como palco principal tem o Castelo Episcopal Medieval de Kuressaare, na ilha de Saaremaa, no Mar Báltico, a maior e mais populosa da Estónia.